Debate reúne lideranças ambientais para discutir a prioridade do clima e da sustentabilidade na agenda política nacional
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Evento da Frente Ambientalista apontou caminhos para integrar o tema como prioridade política e aproximar da realidade da população

Foto: Lucas Mendes
O evento “O Futuro em Disputa: Clima e Sustentabilidade no Centro das Decisões do Brasil”, promovido pela Frente Parlamentar Mista Ambientalista, com o apoio do Legisla Brasil, aconteceu no Centro Cultural de Brasília (CCB), na última terça-feira (14/04). A iniciativa reuniu parlamentares, representantes dos Poderes da República, vozes estratégicas do meio ambiente e lideranças da sociedade civil em torno de um objetivo comum: fortalecer a agenda climática e de sustentabilidade no país.
Foi unanimidade a urgência de transformar o tema em prioridade na política nacional. “Para que a agenda socioambiental seja decisiva depende também de todo mundo abraçar, ir pra rua e a gente construir esse projeto e avançar mais do que a gente já avançou com toda a dificuldade que a gente tem no Congresso Nacional”, declarou o coordenador da Frente na Câmara dos Deputados, deputado Nilto Tatto (PT-SP).
Os debates foram promovidos com a intenção de aproximar a pauta ambiental do cotidiano da população e das realidades locais, com temas que abordaram comunicação e mobilização; estratégias de financiamento e orçamento para a agenda climática.
A programação teve início com a mesa de abertura dividida entre autoridades públicas e representantes da sociedade civil. A ideia foi trazer uma perspectiva inspiradora, humana sobre a trajetória e atuação das vozes estratégicas na agenda ambiental.
Participaram os coordenadores da Frente, Nilto Tatto, do GT Clima, deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ), do GT Água, Bonh Gass (PT-RS), do GT Mineração Célia Xakriabá (Psol-MG), a deputada e ex-ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMAMC), Marina Silva (Rede-SP), João Paulo Capobianco, atual ministro da pasta, e Lana Faria, diretora de operações da Legisla Brasil.
Capobianco ressaltou a importância de tornar as decisões de governo institucionalizadas para que não haja retrocesso no que já se avançou. Ele chamou o processo de “fincar as estacas”.
“Eu acho que estamos procurando fincar as estacas de forma cada vez mais firme para que se o futuro não for tão promissor, ao menos se tenha muita dificuldade para que essas estacas sejam arrancadas. E contar com a ação do parlamento, da sociedade civil, do judiciário para que a gente não permita o retrocesso”, declarou o ministro.
Na sequência, falou o segundo grupo de autoridades na pauta ambiental formado por Rodrigo Agostinho, ex-presidente do IBAMA, Bruna Cerqueira, coordenadora geral de agenda de ação da Presidência da COP 30, a advogada e especialista em política climática, Marina Marçal, o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, e a ex-ministra, agora deputada federal Sonia Guajajara (Psol-SP), e Lana Faria, diretora da Legisla Brasil, que atuou como mediadora.
Ao responder a pergunta “qual a importância de fomentar a liderança política na pauta climática no Brasil?” Guajajara lembrou sua trajetória nas três perspectivas, a de ativista, de ministra e hoje de parlamentar. Alertou de que o avanço tecnológico mundial tem feito o Brasil se tornar o foco de desejo pelas terras raras, minerais e águas que estão em abundância, principalmente nos territórios indígenas.
“Falar em liderança para o futuro é pensar em quem tem essa consciência política e ecológica para a gente engajar cada vez mais. Para que possa trazer essa consciência mais forte para a sociedade, entendendo que a maior arma que temos é o voto de cada um. Pensar em futuro é pensar em quais lideranças políticas nós temos que estejam representando as nossas lutas e bandeiras”, enfatizou a deputada.
Por último, foi a vez do grupo que representou a sociedade civil, formado por Lídia Parente, secretária executiva da Frente, Márcia Hirota, presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, Isabela Rahal, gerente de projetos do Climate Emergency Collaboration Group (CECG), entre outras autoridades.
O encontro se consolidou como um espaço estratégico de diálogo e articulação política, com a presença de grande parte dos coordenadores dos Grupos de Trabalho (GTs) da Frente, inclusive Victor Bicca do GT Empresas.
Mesas de debates

Foto: Lucas Mendes
Na mesa “Comunicação e Mobilização: a construção da agenda climática e de sustentabilidade”, foi evidenciado o papel estratégico da comunicação na disputa de narrativas sobre o tema ambiental. As discussões ressaltaram a importância de ampliar a compreensão pública sobre a crise climática e combater a desinformação, especialmente no ambiente digital.
Talita Novacoski, diretora do Nossas, uma rede de ativismo que mobiliza junto com organizações sociais, pessoas e metodologias campanhas de mobilização no país. Ela falou sobre estruturas de comunicação e como isso perpassa pelo monopólio das big techs, mas também pela construção da memória.
“Não tem comunicação sem estrutura. Como a gente usa essa capacidade de contágio das redes para gente conseguir chegar em mais pessoas e assegurar que consegue acionar elas de novo. É assim que a gente forma a infraestrutura de comunicação acionáveis”, explicou a especialista.
A mediação foi feita por Cila Schulman, especialista em opinião pública. Além do Nossas, o debate contou com o deputado federal Tarcísio Motta (Psol-RJ), a vereadora e integrante da bancada do clima Aava Santiago (PSB-GO), com Felipe Bailez, CEO da Palver, Shirley Krenak, ativista e representante do povo Krenak.

Foto: Larissa Nunes
A programação incluiu, ainda, a mesa “Estratégias de Financiamento e Orçamento para a Agenda Climática e Sustentável”, com a participação dos coordenadores do GT Energias renováveis, Fernando Mineiro (PT-RN), e do GT Cerrado, Dandara (PT-MG), Clarissa Perna, gerente da Bancada do Clima e a vereadora Bia Bogossian (PSD-RJ). O tema foi transversal e apareceu em todas as outras mesas, mas nesse debate destacou-se que a efetividade das políticas ambientais depende diretamente da disputa orçamentária, que deve estar alinhada à relação entre os problemas do cotidiano e os estruturais para que sejam fortalecidos os mecanismos de financiamento.
“Os móveis, a casa ou a vida de pessoas da sua família que você está perdendo nessa enchente está articulado com a falta de infraestrutura, mas também com o colapso ecológico. Isso resulta no orçamento, que é o orçamento que falta para fazer a obra de contenção de costas ou de dragagem de rio está indo para outro lugar”, declarou Motta.
A mesa de encerramento foi composta pelo coordenador da Frente e os vereadores que estiveram presentes: Laís Leão Curitiba (PDT-PR), Ney Prazeres Hortolândia (PP-SP), Lucas Cordeiro Paraty (PDT-RJ), Rodrigo Santana São Fidelis (União-RJ), Ruan Carlos Souza Ribeiro (PV-RJ) e Bia Bogossian.
Ao final, o evento reforçou a ideia de que a agenda climática não é apenas ambiental, mas transversal, envolvendo desenvolvimento econômico, justiça social e democracia. A construção coletiva apresentada no encontro aponta para um cenário em que o Brasil pode assumir protagonismo global, desde que consiga alinhar vontade política, participação social e ação institucional coordenada.
Reportagem: Tainá Andrade
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