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Clima deveria ser prioridade na eleição, mostra pesquisa

há 11 minutos
3 min de leitura

91% dos entrevistados em pesquisa Ipsos querem propostas dos candidatos na agenda climática e maioria teme ondas de calor e chuvas fortes


Por Dani Chiaretti


Marcio Astrin


A crise do clima continua sendo uma preocupação importante para os brasileiros e o número de pessoas que se sente ameaçado pelos impactos da mudança climática já é alto. Em função disso, há uma forte demanda para que os candidatos a presidente apresentem propostas sobre o tema.


Estes são alguns dos resultados da Pesquisa Ipsos encomendada pelo Observatório do Clima , rede com 172 entidades da sociedade civil com atuação na agenda climática . “Clima e meio ambiente na percepção dos brasileiros” ouviu 1.800 pessoas com 18 anos ou mais, em todo o país, entre 17 e 30 de agosto. O questionário incluiu 32 perguntas sobre clima e ambiente e a presença destes assuntos na agenda pública e governamental. A intenção era investigar como os brasileiros enxergam a crise do clima, o papel do poder público, as prioridades e expectativas.


Um dos consensos mais fortes é o que diz que a mudança do clima causa secas, chuvas fortes e ondas de calor (87% concordam) e que o cotidiano está sendo afetado pela crise (85%). Do total da amostra, 79% acreditam que o tema deva ter prioridade, mesmo que isso traga custos e 76% entendem que ainda há tempo para evitar o pior.


São os problemas sociais e econômicos que dominam, contudo, a agenda pública. Insegurança e criminalidade em primeiro lugar (49%), seguidas pelo aumento do custo de vida (41%), violência contra a mulher e feminicídios (36%), qualidade da saúde pública (34%). Nesta lista, a mudança do clima e a crise ambiental aparecem em nono lugar (19%).


Quando a pergunta fica restrita aos problemas ambientais, a mudança do clima fica em primeiro lugar (35% das menções). No espectro político da esquerda, o tema tem maior importância (30%) do que entre os segmentos de direita (10%). Os grupos mais jovens dão maior prioridade (22%) em relação a quem tem mais de 51 anos (14%).


“A pesquisa nos conta uma história: mudança do clima não era tão presente na vida das pessoas há dez anos como é hoje, mas o entendimento do problema ainda não tem profundidade”, diz Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “A grande mudança dos últimos anos é que a agenda climática saiu dos relatórios e foi para a vida real das pessoas, em forma de tragédia.”


Astrini lembra que a pesquisa mostra que os brasileiros querem compromissos dos candidatos na agenda climática (91%), mas que isso, infelizmente, não está acontecendo. “A maioria dos presidenciáveis tem planos fracos ou inexistentes no tema. Um deles, inclusive, é um negacionista convicto”, diz.


> A crise climática saltou do relatório para a vida real das pessoas, em forma de tragédia”

> — Marcio Astrini


Um dos consensos mais expressivos da pesquisa é o que diz que clima e meio ambiente devem ser um tema relevante na agenda governamental (90%) enquanto apenas 3% consideram o assunto pouco ou nada importante.


A enquete tentou detectar a visão da população em relação ao metano, gás-estufa 28 vezes mais forte que o CO2. No Brasil, é a pecuária que mais emite metano, mas a pesquisa mostra que a percepção dos entrevistados é outra - a maioria atribui a emissão do gás aos aterros sanitários, lixões e queima de combustíveis fósseis.


No material enviado à imprensa, Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do OC, diz que a pesquisa confirma que os brasileiros estão preocupados com a mudança do clima e seus impactos. “O esforço é para que essa preocupação se reflita em votos que garantam a eleição de candidatos que incorporem, realmente, este tema em sua atuação” , diz ela . “Em plena crise climática, não dá para aceitar negacionistas declarados ou disfarçados nem no Executivo nem no Legislativo”, diz ela.


Astrini diz que as pessoas sentem que a mudança do clima “atrapalha a vida delas. Mas o entendimento ainda é confuso sobre a origem do problema”. Entre os impactos mais preocupantes da crise do clima, ondas de calor e aumento da temperatura (29%) e chuvas torrenciais e inundações (22%) estão no topo. A elevação do nível do mar e o impacto nas áreas costeiras afligem só 3% dos entrevistados.


A maioria (47%) não está “nada satisfeita” com o papel dos governos federal, estaduais e municipais no enfrentamento de desastres climáticos. É também a maioria (43%) quem afirma que os projetos de investimento devem se adequar às normas ambientais vigentes e discorda da flexibilização existente em propostas legislativas atuais.


Fonte: O Globo


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