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  • GT Empresas 2025: articulação, sustentabilidade e impacto

    Em 2025, o GT de Empresas da Frente Parlamentar Ambientalista consolidou-se como um espaço estratégico de articulação entre o setor produtivo, o Congresso Nacional e a agenda socioambiental, com atuação focada na mobilização qualificada de empresas comprometidas com a economia circular, a transição energética e o desenvolvimento sustentável. Ao longo do ano, o GT promoveu o engajamento contínuo de empresas e entidades setoriais, contribuiu para a definição de uma pauta prioritária, que incluiu temas como logística reversa, reciclagem, economia circular do plástico, transição energética e a discussão da taxonomia verde como instrumento estruturante para orientar investimentos sustentáveis no país. Nesse contexto, o GT organizou o Seminário sobre Economia Circular do Plástico, reunindo parlamentares, governo, empresas e sociedade civil para debater soluções concretas e escaláveis, além de oferecer subsídios técnicos para as discussões da Frente Parlamentar Ambientalista. A atuação do GT também se estendeu ao alinhamento da agenda nacional com os debates internacionais, contribuindo para o posicionamento do Brasil nos fóruns globais e, em especial, para as reflexões e propostas levadas ao contexto da COP 30, reforçando o papel do setor empresarial na construção de políticas públicas ambientais modernas e alinhadas às agendas climática e econômica. Victor Bicca - Secretário Executivo do GT Empresas da Frente Parlamentar Mista Ambientalista

  • Frente Parlamentar Ambientalista lança sua Revista Anual 2025

    Lançamento acontece nesta quarta-feira (17/12), no Salão Nobre da Câmara dos Deputados A Frente Parlamentar Mista Ambientalista, coordenada pelo deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), lançará seu Informativo Anual 2025 nesta quarta-feira (17/12), no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, reunindo os principais registros de ações, encontros e mobilizações que marcaram o ano de luta em defesa da agenda socioambiental e da proteção dos biomas brasileiros no Congresso Nacional. O lançamento será um momento especial para celebrar um ano de parcerias com parlamentares, sociedade civil e todos que contribuem para o fortalecimento da pauta ambiental. Atualmente, a Frente Ambientalista conta com 14 Grupos de Trabalho (GTs): Água, Animal, Cerrado, Clima, Educação Ambiental, Empresas, Energias Renováveis, Juventudes, Mar, Mineração, Pantanal, Questões Urbanas, Resíduos Sólidos, Racismo Ambiental e Orçamento. Cada grupo é coordenado por um parlamentar e conta com o apoio técnico de organizações da sociedade civil, que atuam como secretarias executivas. Composta por senadores e deputados, a Frente Ambientalista acumula 18 anos de atuação na Câmara, consolidando-se como referência na defesa ambiental, especialmente em um ano marcado por desafios e proposições controversas em tramitação no Congresso, além da preparação para a COP30. Destaques da Revista Anual 2025 Registro das principais ações, projetos e mobilizações em defesa do meio ambiente. Relatos das atividades dos Grupos de Trabalho. Entrevistas com parlamentares e especialistas ambientais. Cobertura de eventos nacionais, incluindo a participação na COP30. Parcerias estratégicas com organizações da sociedade civil. Detalhes do Lançamento Data: 17 de dezembro de 2025 Horário: 17h Local: Salão Nobre da Câmara dos Deputados, Brasília O evento será seguido de coquetel de lançamento, aberto aos convidados e imprensa. Contato para imprensa Email: frenteambientalistaobs@gmail.com Telefone: (61) 99409-8504 - Larissa Nunes

  • GT-Mar: conquistas de um ano histórico, lutas decisivas e uma agenda ambiciosa para 2026

    O ano de 2025 marcou um ponto de virada para a agenda oceânica no Congresso Nacional. Sob a coordenação do Deputado Túlio Gadêlha e com a articulação incansável do GT-Mar da Frente Parlamentar Ambientalista, construímos uma atuação que uniu parlamentares, movimentos da pesca artesanal, pesquisadores, organizações da sociedade civil e aliados em defesa do maior regulador climático do planeta, o oceano. Pela primeira vez, o oceano se consolidou como eixo central da política climática brasileira, ocupando lugar estratégico no Parlamento e nas agendas internacionais do país. Entre as conquistas mais significativas do ano, destaca-se o avanço histórico da Lei do Mar, que após treze anos de tramitação obteve acordo político e se tornou uma das principais entregas legislativas preparatórias para o ciclo climático pré-COP30. Também celebramos a aprovação do Acordo BBNJ no Congresso Nacional, inserindo o Brasil entre as nações comprometidas com a proteção da biodiversidade marinha em alto-mar, culminando com a sua assinatura oficial durante a COP30, resultado direto do intenso trabalho de advocacy do GT-Mar e de organizações parceiras. Outro marco fundamental foi a atuação firme diante dos jabutis legislativos introduzidos na MP 1303/2025, que ameaçavam o seguro-defeso, uma política pública vital para a sobrevivência de milhares de famílias pescadoras e para a preservação das populações aquáticas no país. A mobilização combinada do GT-Mar, movimentos sociais da pesca artesanal garantiu a defesa desse direito e impediu retrocessos profundos. 2025 também consolidou vitórias construídas em anos anteriores. A PEC 03/2022, que tentava privatizar as praias brasileiras, não voltou a tramitar, um sinal claro da força política acumulada em defesa do litoral como bem público. E, diante da ameaça do PL da Devastação, o GT-Mar desempenhou um papel crucial de resistência.  Ao mesmo tempo, enfrentamos lutas duras. A aprovação de projetos que afetam diretamente a zona costeira e marinha como o PL da Devastação que compromete profundamente a integridade costeira ao ampliar a autorização para exploração energética — petróleo e eólica offshore —, fomentar grandes empreendimentos portuários, expandir a carcinicultura em manguezais, intensificar o transporte marítimo e estimular a especulação imobiliária e turística, pressionando povos e territórios essenciais à resiliência climática. Soma-se a isso as constantes investidas legislativas contra os limites de Reservas Extrativistas e APAs Marinhas. Esses processos demonstram que o oceano segue sob intensa disputa e, por esta razão, fortalecer a governança marinha e garantir o protagonismo das comunidades tradicionais permanece sendo um dos maiores desafios. No plano internacional, 2025 também foi um marco de projeção política. O PainelMar e o GT-Mar estiveram presentes na UNOC 3, em Nice, na França e na COP 30, em Belém, contribuindo para debates sobre governança oceânica, justiça climática e participação social. Foi ali que nasceu a Coalizão Interparlamentar de Proteção dos Oceanos (ICOP), que com apoio do GT-Mar teve adesão de parlamentares brasileiros ao esforço global de integração da agenda oceano-clima. Na COP30, realizamos o evento “O papel das legisladoras e legisladores no aumento da ambição climática com soluções baseadas no oceano”, que reuniu o presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, o coordenador do GT-Mar, parlamentares federais, estaduais, municipais e representantes internacionais. Com base na mensagem apresentada, reforçamos que as NDCs Azuis representam um caminho de ação climática concreta. Para 2026, o GT-Mar projeta uma agenda ambiciosa. Entre as prioridades estão: aprovar a Lei do Mar no Senado; proteger e fortalecer as unidades de conservação marinhas diante das ameaças; reconhecer territórios pesqueiros tradicionais; avançar em marcos legais estruturantes que beneficiem a zona costeira e marinha; realizar um evento da ICOP no Brasil para ampliar adesões nacionais e internacionais em busca de mais apoio parlamentar; e integrar de forma definitiva as soluções baseadas no oceano às políticas climáticas brasileiras, afirmando que não há ação climática verdadeira sem o oceano e sem os povos que dele dependem. Seguiremos vigilantes, com técnica e diálogo. Seguiremos firmes, com coragem e mobilização. Porque defender o oceano no Congresso Nacional é defender vidas, culturas, territórios e o futuro climático do Brasil. E quando sociedade civil e parlamento atuam juntos, a democracia e o mar avançam. Letícia Camargo - Secretária Executiva do GT Mar - Painel Mar

  • Especialistas apontam vantagens de exportar carne processada

    Em audiência pública na Câmara eles citaram riscos sanitários, econômicos e ambientais do transporte de animais vivos Vinicius Loures / Câmara dos Deputados Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Exportar carne bovina processada, em vez de animais vivos, pode gerar mais empregos formais e aumentar a arrecadação tributária no Brasil, segundo participantes de audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, realizada nesta quinta-feira (11). O debate analisou impactos, riscos sanitários e condições de transporte na exportação de gado vivo. A professora da Universidade Federal do Mato Grosso Maira Luiza Spanholi apresentou estudo da Revista Brasileira de Planejamento e Desenvolvimento indicando que a exportação de carne processada, em substituição ao gado vivo, pode gerar até 2 mil novos empregos formais e aumento de R$ 67 milhões na arrecadação tributária. “Ao priorizar o produto processado, o país obtém ganhos econômicos, maior geração de empregos e menor impacto sobre os animais”, afirmou. Especialistas afirmaram que o transporte terrestre e marítimo dos animais ocorre, em alguns casos, em condições inadequadas, o que representa risco sanitário para trabalhadores, moradores dos portos e para os próprios animais. A diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Vania Plaza Nunes, explicou que apenas três portos no país operam esse tipo de embarque, o que exige longos deslocamentos por rodovias. “Antes de chegar ao porto, os animais já passam por situações que comprometem seu bem-estar físico e mental”, afirmou. Durante a viagem marítima, acrescentou, fatores como ventos fortes, instabilidade das embarcações e intempéries intensificam o estresse dos animais. Os debatedores citaram ainda risco de ferimentos, quedas, baixa oxigenação e proliferação de doenças, como brucelose, tuberculose bovina e leptospirose, que podem afetar trabalhadores e comunidades portuárias. Vinicius Loures / Câmara dos Deputados Vania Plaza Nunes apontou condições inadequadas no transporte de animais vivos Más condições de transporte A coordenadora do Grupo de Advocacia Animalista Voluntária, Leticia Filpi, ressaltou que, em média, há um veterinário para cada 2,7 mil animais durante as viagens. Para ela, as condições atuais desrespeitam o artigo 225 da Constituição Federal, que garante o direito ao meio ambiente equilibrado, e a Lei de Crimes Ambientais . O diretor de Relações Governamentais da Mercy For Animals, George Sturaro, afirmou que os 44 navios usados pelo Brasil nessa atividade têm média de 39 anos de uso e, em muitos casos, são classificados como navios-sucata. Segundo ele, embarcações que transportam animais têm duas vezes mais risco de acidentes do que outros navios mercantes. “Em 2015, o navio Haidar afundou no porto de Vila do Conde (PA), causando a morte de milhares de animais e contaminação que atingiu Belém”, declarou. Vinicius Loures / Câmara dos Deputados Duda Salabert é autora de projeto de lei pra reduzir a exportação de animais vivos Participantes lembraram que a Índia proibiu a exportação marítima de animais em 2018 e, em 2022, dobrou sua exportação de carne. A diretora de Proteção, Defesa e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Vanessa Negrini, destacou que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) pode ajustar regras de exportação. “A Camex define estratégias, tarifas e regras de importação e exportação. Esse diálogo é fundamental para reavaliar o modelo atual”, disse. Ela afirmou ainda que o país precisa de “um novo contrato ético para os animais”. Projeto de lei A reunião foi presidida pela deputada Duda Salabert (PDT-MG), autora do Projeto de Lei 2627/25, que cria o Programa para a Redução Progressiva da Exportação de Animais Vivos para Abate. A parlamentar informou que proporá reuniões com a ministra Marina Silva e defendeu a convocação do ministro Carlos Fávaro, da Agricultura e Pecuária, para esclarecer impactos econômicos, ambientais e sanitários da prática. “O ministro deve esclarecer à comissão as consequências desse modelo de exportação”, afirmou. A comissão também decidiu solicitar visita técnica a navios que transportam animais vivos e promover encontros com a Marinha, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários e a Câmara de Comércio Exterior. Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Esse Projeto de Lei foi construído por necessidade, por urgência e pela garantia da vida

    Em Audiência Pública no Senado, pescadoras e pescadores defendem a aprovação do Projeto de Lei 4789/2024; depois da apreciação na Comissão de Meio Ambiente, ele segue para a Câmara dos Deputados O Senado Federal abriu suas portas nesta terça-feira (9/12) para um debate fundamental para o futuro da atividade pesqueira no país: a aprovação do Projeto de Lei (PL) 4789/2024, de autoria do Senador Alessandro Vieira (MDB/SE), que estabelece uma nova Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Pesca. Construída coletivamente por lideranças de todas as regiões brasileiras, a proposta foi defendida por pescadoras e pescadores que lotaram a sala da Comissão de Meio Ambiente (CMA) durante a Audiência Pública. “Há uma urgência em reforçar que esse Projeto de Lei não foi construído por vaidade, mas sim por necessidade, por urgência e, principalmente pela garantia da vida – dos biomas e da vida humana, de quem depende econômica e alimentarmente desse sistema”, explicou a pescadora artesanal Marly Lúcia Souza, secretária nacional de Mulheres da Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Costeiras e Marinhas (Confrem Brasil). “Esse é um Projeto de Lei para aprimorar e atualizar conceitos; reconhecer e valorizar a pesca artesanal e as mulheres pescadoras; trazer instrumentos de monitoramento e gestão adequados à realidade da pesca brasileira; estabelecer papéis e responsabilidades para que o Ministério saiba, pela lei, o que será feito independente do que aconteça politicamente. Ele também vem monitorar, planejar e ordenar a pesca, com uma estrutura mínima para que isso aconteça de maneira contínua e estruturada”, explicou o diretor científico da Oceana, Martin Dias. “Isso é segurança jurídica, é sustentabilidade ambiental e é o futuro para uma atividade tão importante como a pesca”, frisou. Modernização e estabilidade O PL 4789/2024 é conhecido como “Nova Lei de Pesca” por propor a modernização da Lei nº 11.959, de 29 de junho de 2009, que atualmente rege a pesca e a aquicultura no país. A divisão entre as duas atividades em legislações distintas, como propõe o Projeto, foi, inclusive, um dos temas mais recorrentes na Audiência e consenso entre os participantes. “A gente precisa saber separar aquicultura da pesca. Aquicultura é uma coisa, pesca artesanal é outra. Na pesca artesanal você extrai, você tira da natureza o que ela lhe oferece, e a gente para no período de defeso para a procriação das espécies”, explicou a pescadora Arlene Costa, liderança do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP) e da Articulação Nacional das Pescadoras (ANP). Segundo Francisco de Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe-BR), essa associação entre as atividades é um “erro crasso” da lei vigente, que acaba trazendo um prejuízo grande para o setor. “Por isso nós concordamos com o Projeto de Lei [4789/2024] e sua continuidade, porque desburocratiza a atividade sem a perda do Estado.” As fragilidades da atual legislação também foram mencionadas por Cadu Villaça, presidente do Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (CONEPE). Conforme afirmou, essas lacunas geram insegurança jurídica tanto para a pesca artesanal quanto para a industrial. “Nós saímos para o mangue ou para o mar para pegar o que a gente não plantou, não semeou, mas um presente que recebemos da natureza. Então, temos que zelar por isso com muita ciência, capacidade e respeito a um limite do que ela consegue se reproduzir. É uma atividade muito honrada e bonita, que merece ser muito mais valorizada do que tem sido. Mas, infelizmente, interesses momentâneos acabam levando isso para a maré do momento, enquanto nós tínhamos que ter uma âncora: que é uma lei de pesca bem-feita”, argumentou em defesa do PL 4789/2024. Também representando a pesca industrial, Jairo Gund, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), demonstrou apoio ao Projeto, indicando que não é mais possível que a legislação permaneça como está: ruim para o setor produtivo e para o governo. “A semente da pesca é a estatística, é disso que precisamos. Enquanto a lei colocar isso de maneira aberta e romantizada, de que o Executivo poderá fazer uma estatística, poderá fazer avaliações de estoque, nós poderemos, um dia, ter um setor. Precisamos que a lei obrigue os gestores a fazer isso”, alegou. “Precisamos lapidar melhor essa proposta de lei e temos instâncias para isso, como o próprio Conape [Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca] – que poderia, de maneira propositiva trazer os pontos de ajustes que ela precisa para que possamos, finalmente, avançar”, complementou ele. Um exemplo, elencado por Gund, de prejuízo que o setor já enfrenta é com o pargo, segundo principal pescado de exportação no país, que segue aguardando a definição de um limite de captura que garanta a continuidade da pescaria . A tomada de decisões de gestão pesqueira com base na ciência e nos saberes tradicionais é um dos pontos principais defendidos pela nova proposta de lei. Contradições Em nome do Executivo Federal, estiveram presentes representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), com posicionamentos distintos entre si. Por um lado, Roberto Gallucci, coordenador-geral de Gestão e Ordenamento Pesqueiro do MMA, destacou a Audiência Pública como um momento muito importante para o debate sobre o futuro da atividade pesqueira e reconheceu o processo legítimo e sólido de discussão e proposição do PL 489/2024 pelas bases. Segundo ele, o Projeto traz inúmeros aspectos positivos, visando modernizar a política pesqueira nacional, aproximar o Brasil das melhores práticas de gestão recomendadas internacionalmente, atualizar as práticas adotadas e suprir deficiências em questões que ainda precisam de avanço. “Dito isso, reconhecemos que, do ponto de vista ambiental, o Projeto de Lei tem o mérito de provocar discussão e o aprimoramento da gestão pesqueira nacional, tendo sido construído de forma participativa com a sociedade, com o setor pesqueiro tanto artesanal quanto industrial, e com representantes da comunidade científica. A questão da participação social na gestão pesqueira, inclusive, não apenas na construção desse Projeto, mas em sua implementação, é uma das premissas que nós defendemos”, declarou o representante da pasta de Meio Ambiente. Por outro lado, o diretor do Departamento de Territórios Pesqueiros e Ordenamento do MPA, Cristiano Quaresma, se declarou a favor de uma revisão da lei, mas questionou justamente a ausência de propostas concretas, a falta de participação social no processo de construção e a ausência de mensuração aos impactos diretos a pescadores e pescadoras no PL 4789/2024. O posicionamento foi rebatido de forma veemente por pescadores e pescadoras presentes. José Alberto Ribeiro, conhecido como Beto Pescador, liderança da pesca artesanal pela Confrem Brasil, esclareceu que a necessidade de uma nova lei foi discutida pelas bases por anos, até que, a partir de 2022, a construção e a atualização da legislação foram estabelecidas como objetivos da categoria: “uma das nossas metas, inclusive, era construir de forma participativa e integrar todo o setor, que teve a oportunidade de sentar e dialogar juntos”. “Essa foi uma construção feita por centenas de lideranças em suas bases. Talvez o que incomode alguns é que essa é uma coisa nova: se construir uma proposta de lei vinda da base, feita por quem, de fato, vive isso no dia a dia. Ela também traz uma nova luz de que nós, pescadores e pescadoras, com as parcerias que se têm nesse país, com a convivência que temos com outros segmentos da pesca, podemos construir juntos. E construindo juntos quem ganha é o Brasil, quem ganha é a nação. Esse Projeto traz essa característica de coletividade e não pode parar”, clamou. Participação e justiça social O Projeto de Lei 4789/2024 é resultado de mais de 600 horas de reuniões e diálogos entre 150 lideranças da pesca de todo o Brasil, entre 2022 e 2024, quando foi, por fim, protocolado no Senado Federal sob a autoria do senador Alessandro Vieira (MDB/SE). Ele quebra um ciclo histórico de legislações e regramentos produzidos sem a participação de pescadoras e pescadores, que têm na atividade seu sustento e suas tradições, como destacou Arlene Costa durante a Audiência Pública. “Respeito a qualquer um que seja, os profissionais e a Academia, mas a minha faculdade é o mangue, eu entendo essa base. A gente se identifica, autodetermina quem somos e o que queremos. Então, falar de lei de pesca é falar das pessoas que realmente construíram isso e que sabem o tamanho que ela tem.” No Senado, o Projeto foi aprovado na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) em julho deste ano , com parecer favorável do senador Marcos Rogério (PL/RO). Desde então, segue na Comissão de Meio Ambiente. A solicitação de Audiência Pública foi uma iniciativa da senadora Leila Barros (PDT/DF) , justamente para colher subsídios técnicos e ouvir diferentes perspectivas sobre o Projeto antes que ele siga para votação. Caso seja, então, aprovado no Senado, ele segue em discussão na Câmara dos Deputados. A parlamentar presidiu a mesa de discussões e foi, posteriormente, substituída pelo senador Confúcio Moura (MDB/RO). O senador Jorge Seif (PL/SC) também fez uma participação. A Audiência reuniu 14 participantes convidados, distribuídos em quatro blocos de debate, com representações da pesca artesanal, da pesca industrial, do governo federal e da sociedade civil. São eles: MPP, Confrem Brasil, Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Conepe, Abipesca, Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA), Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), Associação Nacional dos Armadores e Proprietários de Embarcações Pesqueiras (Pesca-BR), Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe-BR), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), MPA, MMA, Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Oceana. Fonte: Oceana

  • STF volta a julgar marco temporal na próxima quarta-feira

    Corte vai ouvir sustentações orais das partes envolvidas Joédson Alves/Agência Brasil O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia na próxima quarta-feira (10) um novo julgamento sobre a constitucionalidade do marco temporal para demarcação de terras indígenas. Durante a sessão, não haverá votação dos ministros sobre a questão . A Corte vai ouvir as sustentações orais das partes envolvidas, e a data da votação será marcada posteriormente. Em 2023, o STF considerou que o marco temporal é inconstitucional . Além disso, o marco foi barrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vetou o projeto de lei aprovado no Congresso que validou a regra. Contudo, os parlamentares derrubaram o veto de Lula. Dessa forma, voltou a prevalecer o entendimento de que os indígenas somente têm direito às terras que estavam em sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial na época. Após a votação do veto presidencial, o PL, o PP e o Republicanos protocolaram no STF ações para manter a validade do projeto de lei que reconheceu a tese do marco temporal. Por outro lado, entidades que representam os indígenas e partidos governistas também recorreram ao Supremo para contestar novamente a constitucionalidade da tese. Conciliação Antes de retomar o julgamento, o STF realizou diversas audiências de uma comissão de conciliação entre as partes envolvidas na questão. A conciliação foi convocada pelo ministro Gilmar Mendes, relator das ações. Além de levar o caso para conciliação, Mendes negou pedido para suspender a deliberação do Congresso que validou o marco, decisão que desagradou aos indígenas. Em agosto do ano passado, no início dos trabalhos da comissão, a Articulação dos Povos Indígenas (Apib), principal entidade que atua na defesa dos indígenas, decidiu se retirar da conciliação . A associação entendeu que não havia paridade no debate. As audiências foram mantidas sem a presença dos representantes dos indígenas. Os trabalhos continuaram com representantes do Senado, Câmara dos Deputados, Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e de estados e municípios. Em junho desde ano, a comissão finalizou os trabalhos e aprovou a minuta de um anteprojeto que poderá ser enviado ao Congresso Nacional após o julgamento para sugerir alterações na Lei 14.701 de 2023, norma que, apesar de tratar direitos dos povos indígenas, inseriu o marco temporal para as demarcações. A questão do marco temporal não foi alterada porque é uma das questões em que não houve consenso. A minuta trata de pontos consensuais que, em alguns casos, já constam na Lei 14.701/2323 e foram explicitados, como permissão para turismo em áreas indígenas, desde que seja autorizado pelos indígenas, além da obrigatoriedade de participação de estados e municípios no processo de demarcação. A minuta também prevê que o processo demarcatório, que é realizado pela Funai, deverá ser público, e os atos deverão ser amplamente divulgados. Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-12/stf-volta-julgar-marco-temporal-na-proxima-quarta-feira

  • Licenciamento ambiental fragilizado: escolhas que comprometem o futuro do Brasil

    Retrocessos recentes na legislação e a criação da Licença Ambiental Especial enfraquecem salvaguardas essenciais, aumentam riscos socioambientais e contrariam compromissos climáticos assumidos pelo país Por Clarissa Presotti* Nas últimas semanas, o Brasil assistiu à derrubada da maior parte dos vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento. Somada à aprovação da Medida Provisória que cria a Licença Ambiental Especial (LAE), ela representa um enfraquecimento estrutural do sistema responsável por prevenir danos socioambientais, proteger populações vulneráveis e assegurar que empreendimentos econômicos sejam compatíveis com o interesse público. Trata-se de uma alteração que vai além de ajustes regulatórios. O que está em curso é a flexibilização de salvaguardas essenciais, com potenciais impactos sobre biomas estratégicos, regimes de chuva, disponibilidade de água, integridade de territórios e segurança climática. O licenciamento ambiental existe para permitir que atividades econômicas se desenvolvam com responsabilidade, transparência, participação social e base técnica sólida. Ele identifica riscos, define condicionantes, estabelece monitoramento e orienta soluções que podem evitar tragédias humanas e ambientais. Quando o licenciamento ambiental é fragilizado, o custo recai sobre a sociedade. É nesse contexto que a derrubada de vetos que preservavam salvaguardas históricas da Lei da Mata Atlântica gera preocupação. Hoje, restam pouco mais de 12% da cobertura original do bioma, distribuída em fragmentos que sustentam parte significativa do abastecimento urbano, da produção agrícola e do equilíbrio climático do país. Flexibilizar as barreiras legais que protegem esses remanescentes significa expor mananciais, encostas, nascentes e rios a riscos iminentes de degradação, em um momento em que o Brasil já convive com eventos climáticos extremos recorrentes, como enchentes, estiagens severas e crises de abastecimento. A aprovação da LAE aprofunda esse cenário ao reduzir etapas de análise, limitar o espaço de participação pública e enfraquecer a capacidade do Estado de avaliar impactos sociais e ambientais em sua totalidade. Em territórios frágeis ou em obras de grande porte, um processo simplificado não é sinônimo de eficiência. Ao contrário: significa menor rigor técnico, menos transparência e maior probabilidade de decisões condicionadas por interesses imediatos. Em um país marcado por episódios de colapso ambiental, desastres tecnológicos, degradação de rios e disputas territoriais, abrir mão de instrumentos preventivos é um risco institucional que não pode ser normalizado. Os danos não são abstratos. Eles se manifestam na qualidade da água, na perda de biodiversidade, no agravamento de eventos extremos e na pressão crescente sobre ecossistemas que já operam no limite. Do ponto de vista jurídico e institucional, recolocar em vigor dispositivos questionados por inconstitucionalidade produz incerteza, disputa e judicialização. Decisões que fragilizam o licenciamento desencorajam investimentos responsáveis e comprometem a credibilidade do país no cenário internacional, especialmente num momento em que o Brasil busca se reposicionar como liderança climática na sequência de compromissos assumidos na COP30. Não há coerência entre defender metas de redução de emissões, proteção de florestas e resiliência climática no plano global e, internamente, enfraquecer os instrumentos que tornam esses compromissos viáveis. É importante destacar que o licenciamento ambiental já dispõe de modalidades, prazos e procedimentos diferenciados para cada tipo de empreendimento. Ele pode — e deve — ser continuamente aperfeiçoado para tornar-se mais eficiente, célere e integrado. Mas o aperfeiçoamento não pode servir de justificativa para flexibilizações que reduzam a capacidade de prevenir danos, especialmente em áreas sensíveis. O Brasil tem ciência, instituições e sociedade civil atuantes para construir soluções equilibradas. A agenda ambiental do país é a base de um modelo de desenvolvimento sustentável, justo e competitivo. Isso exige governança forte, transparência, estabilidade regulatória e salvaguardas capazes de proteger vidas, ecossistemas e o nosso patrimônio natural. Baixar a guarda do licenciamento é caminhar na direção oposta. Nosso desafio não é escolher entre desenvolvimento ou proteção ambiental, mas garantir ambos. E isso começa por reconhecer que o licenciamento ambiental é uma garantia, não um obstáculo: de segurança, justiça climática e compromisso com um futuro verdadeiramente sustentável para o Brasil. Clarissa Presotti - especialista de Políticas Publicas do WWF-Brasil Fonte: Correio Braziliense

  • Frente Ambientalista realiza reunião estratégica com Grupos de Trabalho para definir atuação em 2026

    A Frente Parlamentar Mista Ambientalista promoveu, nesta quarta-feira (03/12), uma reunião estratégica com os secretários executivos e representantes dos gabinetes dos coordenadores, dos Grupos de Trabalho (GTs) para alinhar ações e estabelecer prioridades para 2026. O encontro foi coordenado pelo deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), que reforçou a importância de ampliar a presença da Frente em todo o país e fortalecer cada GT como referência temática no Congresso Nacional. Atualmente, a Frente Ambientalista conta com os GTs: Água; Animal; Cerrado; Clima; Educação Ambiental; Empresas; Energias Renováveis; Juventudes; Mar; Mineração; Pantanal; Questões Urbanas; Resíduos Sólidos; Racismo Ambiental e Orçamento. Cada grupo é coordenado por um parlamentar e tem apoio técnico de uma organização da sociedade civil, que atua como secretaria executiva. Durante o encontro, Tatto destacou que o foco para 2026 é consolidar a atuação da Frente nos estados, ampliando o diálogo com territórios e fortalecendo a incidência legislativa em nível nacional. “Nosso desafio é levar a Frente Ambientalista para todos os cantos do país, integrando os debates nacionais com as demandas locais e garantindo avanços em cada Grupo de Trabalho”, afirmou o coordenador. A secretária-executiva da Frente Ambientalista, Lídia Parente, parabenizou o esforço conjunto dos GTs ao longo de 2025, mesmo diante de um ano marcado por desafios e proposições ambientais controversas em tramitação no Congresso. Ela ressaltou que 2026 será um ano estratégico e destacou a necessidade de ações articuladas diante das eleições gerais. “Precisamos fortalecer ainda mais nossas frentes de atuação, ampliar o diálogo com a sociedade e garantir que a agenda socioambiental esteja presente nas disputas eleitorais”, afirmou. A deputada federal Dandara Tonantzin, coordenadora do GT Cerrado, também participou da reunião e ressaltou a importância da atuação conjunta dos grupos. Ela destacou as ações realizadas pela Frente Ambientalista durante a COP30, enfatizando que a presença articulada dos GTs no evento reforçou a relevância da agenda socioambiental no cenário internacional. “Quando os grupos caminham juntos e unidos, podemos muito mais”, afirmou a parlamentar. O encontro proporcionou aos membros um espaço de troca, avaliação e planejamento. As contribuições apresentadas devem orientar o plano de ação da Frente Ambientalista para o próximo ano, com foco em ampliar a incidência política, o diálogo federativo e o impacto das pautas socioambientais no Congresso Nacional. Conheca mais sobre os Grupos de Trabalho da Frente Ambientalista; https://www.frenteambientalista.com/grupos-de-trabalho   Reportagem e fotos - Larissa Nunes

  • Ato na Câmara dos Deputados marca o Dia Mundial de Luta Contra os Agrotóxicos

    Movimentos denunciaram ataques da direita ao Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos, o Pronara Movimentos sociais, especialistas e representantes do governo e do Ministério Público se reuniram na Câmara dos Deputados para um ato político, nesta quarta-feira (3), em referência ao  Dia Mundial de Luta Contra os Agrotóxicos . A sessão foi convocada pela Frente Ambientalista e coordenada pela  Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida . “Estar aqui na Câmara tem também toda essa simbologia de qual é o papel desse espaço, que precisa ser ocupado por nós, que precisamos estar aqui permanentemente propondo, construindo e avançando nas políticas públicas que defendem a bandeira da agroecologia, que defendem a redução de agrotóxico”, declarou Jakeline Pivato, coordenadora da campanha. “Esse dia ele tem uma simbologia muito forte porque ele articula o conjunto do movimento contra os agrotóxicos no âmbito internacional, trazendo as mais diversas problemáticas enfrentadas nas mais diversas realidades que nós temos nos territórios, desde o contexto da arma química, que tem sido cada vez mais presente nas comunidades e povos tradicionais, indígenas, com esse cenário dos drones, da pulverização aérea, essa presença de contaminação permanente, como também a dificuldade de avanço do nosso movimento agroecológico, da produção agroecológica, da produção orgânica”, pontuou Pivato. A data de 3 de dezembro recorda o  desastre de Bhopal, na Índia , onde um vazamento de gás em uma fábrica de agrotóxicos tirou mais de 6 mil vidas de imediato e seguiu matando pessoas nos dias seguintes. Segundo Pedro Serafim, coordenador do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos do Ministério Público do Trabalho (MPT), essa catástrofe “ainda está acontecendo de forma pior em vários lugares, inclusive no Brasil”. “Cada dia acontece uma Bopal aqui [no Brasil]. Quando você encontra leite materno com agrotóxico, é uma consequência já daquilo que Bopal também fez, matando vidas,  contaminando, intoxicando ”, apontou o procurador. “Eu vejo que precisamos avançar, levantar essa bandeira sempre num compromisso nas mão de todos, Ministério Público, sociedade entidades, academias nesse trabalho e vocês, poder Legislativo, nacional, parlamento, precisa mostrar ao Brasil e ao exterior que leva a sério a questão da vida e do meio ambiente. Esse é o caminho”, considerou Serafim. Brasil: lixão de venenos O cenário brasileiro é preocupante. O país é caracterizado como uma “grande lixeira mundial química”. Dentre os dez agrotóxicos mais utilizados internamente, sete  são proibidos em outros países por questões de saúde , evidenciando, segundo o procurador Pedro Serafim, um duplo padrão ético relacionado à produção e comercialização desses produtos.  “A substância é proibida há mais de 23 anos na União Europeia, mas fabricada lá e vendida aqui. [Isso] não pode continuar assim. A justiça brasileira deve dar o exemplo como as outras fazem: condenando quem contamina”, disse Serafim, em referência ao recente pedido do  Ministério Público Federal do Mato Grosso do Sul (MPF-RS) de proibição da atrazina , herbicida largamente utilizado em plantações de milho, soja e cana-de-açúcar, com fartas evidências de estar associado a cânceres. O papel do Congresso O Congresso brasileiro tem sido um muro de contenção no avanço da agroecologia no país e, em muitas situações, promove o atual modelo de agricultura, altamente  dependente do uso de agrotóxicos . Mas há resistência. Para o deputado federal Nilto Tato (PT-SP), o parlamento deve atuar no sentido de “aprimorar a legislação”, perseguindo o objetivo de banir o uso da química na agricultura, incluindo fertilizantes e agrotóxicos. “Nós temos aí o aumento da incidência de algumas doenças causadas pelo veneno que vem no alimento que a gente come no dia a dia. Eu estou falando de Alzheimer, estou falando de Parkinson, estou falando de câncer, um conjunto de doenças que gera muito sofrimento para as pessoas, sofrimento para as famílias, um custo alto para a saúde pública, de tal forma que se um dia a gente colocar na balança o quanto o poder público, a população gasta para curar as doenças causadas pelo veneno que vem deste modelo de agricultura, a gente vai entender que, de repente, a população brasileira, o Estado, o poder público carrega esse modelo de agricultura, carrega o agronegócio nas costas”, afirmou o deputado, agregando que é preciso acabar com os incentivos fiscais aos agrotóxicos.  Tato defende a necessidade de subsídios para a produção agrícola, mas não a qualquer custo. “Não pode ter o subsídio para esse modelo de agricultura que traz esses prejuízos para população, para o meio ambiente, para a sociedade como um todo, mas, sim, os subsídios para a agricultura na perspectiva agroecológica”, defendeu.  Por sua vez, o deputado Pedro Uczai (PT-SC) defende que está na hora de partir para a ofensiva contra os agrotóxicos no país e cita o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara). “Eu acho que isso [o programa] dialoga bem com a sociedade, inclusive com muitos agricultores que querem fazer a transição”, afirmou o parlamentar, destacando ainda o aumento da especialização em oncologia em seu estado, refletindo a disparada nos casos de câncer no pais.  “Na minha região de Santa Catarina só tinha Chapecó”, ressalta, destacando que, nos últimos anos, a especialidade explodiu no estado catarinense. “Todo mundo está se habilitando para a oncologia. Tem alguma coisa errada nessa história”, pontuou.  Uczai alertou que, na próxima semana, haverá a  votação do orçamento de 2026,  sem perspectivas de priorização das políticas de transição agroecológica.  “Nós vamos votar semana que vem o orçamento aqui. E olha, é tímido os recursos que vão ser destinados no próximo ano para essa política alternativa”, destacou. Avanço de consciência No balanço entre avanços e retrocessos, o assessor jurídico da Fian, organização internacional de direitos humanos focada na luta pelo direito à alimentação adequada, Pedro Vasconcelos, mencionou que um grande avanço é o processo de mudança de mentalidade de que “outras formas de produção de alimentos” são possíveis e necessárias, como as práticas agroecológicas e o uso de bioinsumos. “É um reconhecimento, pelo menos ao nível da mentalidade, da sociedade, de que outras formas de produção de alimentos, de distribuição de alimentos, que sejam melhores para as pessoas, para a saúde humana, para o planeta, para a saúde de todos os seres, são possíveis, mas não só possíveis, como também necessárias”, avaliou, destacando, por outro lado, os retrocessos nesse debate. “Mas os retrocessos são no nível normativo, regulatório, de decisões, tanto ao nível nacional quanto internacional, que não reconhecem, não dão espaço para essas vozes, para essa mudança de mentalidade acontecer”, completou.  Pronara  Um dos pontos altos das discussões foi o  Pronara , aprovado por deliberação do presidente Lula em 30 de junho, mas que vem sofrendo ataques da bancada ruralista no Congresso. Na última semana, foi aprovado, na Comissão de Agricultura da Câmara, o projeto que tenta suspender o decreto que instituiu o programa de redução de agrotóxicos. O parecer do PDL 443/2025 é de autoria do deputado Rodolfo Nogueira (PL/MS). Patrícia Tavares, da Secretaria-Geral da Presidência, que coordena o comitê gestor do programa, explicou que o colegiado foi nomeado em 3 de outubro, composto por 13 órgãos de governo das seguintes áreas: saúde, meio ambiente, agricultura, desenvolvimento agrário e agricultura familiar, segurança alimentar e nutricional.  “Hoje nós estamos na etapa de fechar uma matriz de ações que vão compor o primeiro plano de implementação do programa. Nós fizemos um exercício bastante intenso nesses últimos meses de diálogo com os ministérios, principalmente os que compõem o comitê gestor, e nós estamos nas etapas finais de aprovação dessas iniciativas. Então, nos próximos meses, a gente imagina que o mais rápido possível, a gente consiga já publicar essa resolução do comitê gestor, que vai ser a matriz inicial de iniciativas do Pronara”, anunciou Tavares.  Por Leonardo Fernandes Do Brasil de Fato Facebook WhatsApp Email X Share Editado por: Maria Teresa Cruz

  • Por que o Brasil segue como maior consumidor de agrotóxicos do mundo?

    Dia Mundial Contra os Agrotóxicos busca conscientizar sobre riscos à saúde e ao meio ambiente causados pelos produtos Três de dezembro é o Dia Mundial de Luta Contra os Agrotóxicos e, a cada ano, os movimentos socioambientais fazem um balanço dos avanços e retrocessos sobre esse tema no Brasil, que há anos figura como o maior consumidor de agrotóxicos no mundo , segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Essa realidade é reflexo do modelo agrícola hegemônico, altamente dependente do uso desses produtos químicos, em detrimento da saúde coletiva e do meio ambiente.  Em 2024, o Brasil bateu recorde de liberação de agrotóxicos , segundo informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Foram mais de 600 produtos aprovados, muitos deles proibidos nos próprios países onde são produzidos. Somente no ano passado, foram quase 122 mil toneladas desses produtos exportados para todo o mundo e o Brasil foi o segundo maior destino dessas substâncias.  As consequências desse modelo são devastadoras, com a contaminação do solo, das águas, do ar, e da consequente alta incidência de doenças relacionadas à contaminação por esses produtos. Isso sem falar na utilização desses venenos como armas químicas em conflitos rurais. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT) , somente em 2024, mais de 17 mil famílias brasileiras foram vítimas de ataques utilizando agrotóxicos como armas.  Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2025/12/03/por-que-o-brasil-segue-sendo-o-maior-consumidor-de-agrotoxicos-do-mundo/

  • ONGs vão à Justiça contra derrubada de vetos do PL da Devastação

    Além de inconstitucional, PL expõe a risco a saúde e segurança dos brasileiros e libera a destruição ampla, avaliam entidades. Com a derrubada de 52 dos 63 vetos do Executivo ao PL da Devastação, na última 5ªfeira (27/11) parlamentares reconstruíram, na prática, o texto original aprovado em julho. No mesmo dia, o Observatório do Clima, rede formada por 161 entidades ambientalistas, disse que organizações irão à Justiça contra a derrubada dos vetos. “Além de inconstitucional, expõe a risco a saúde e a segurança dos brasileiros, libera a destruição ampla dos nossos ecossistemas e viola as metas climáticas do país, que acabou de sediar a COP30”, diz a nota da entidade. Foram apontados como inconstitucionais dispositivos como a Licença Ambiental por Adesão e Compromisso (LAC), obtida por autodeclaração, para empreendimentos de médio porte; a retirada da obrigação de consulta a Povos Indígenas e Quilombolas sobre obras em territórios não demarcados; e a emenda que alterou trechos da Lei da Mata Atlântica, que pode permitir mais desmatamento, detalha o Globo . “Mantendo essa lei como ficou hoje, teremos uma alta insegurança jurídica e o enfraquecimento da proteção socioambiental. Não haverá outra saída a não ser judicializar essa norma nascida inconstitucional”, afirma a advogada do Instituto Socioambiental (ISA), Alice Dandara de Assis Correia. ONGs alertam que nova lei pressiona os ecossistemas rumo ao colapso, conta o Pará Terra Boa . Com menores parâmetros de proteção, o desmatamento poderá aumentar. Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, classificou a mudança como um “retrocesso criminoso na legislação ambiental“, mostram Poder 360 e Carta Capital . Na Folha , a pesquisadora Luciana Gatti, autora de estudos sobre a devastação da Amazônia, também afirma que se unirá a outros cientistas para questionar a lei no Supremo Tribunal Federal (STF). “Vamos apelar para Deus e o mundo, porque isso é uma sentença de morte principalmente para o brasileiro pobre, e não podemos deixar isso acontecer”, disse. A avaliação do governo é que a judicialização será o único caminho para reverter trechos, como a preocupante Licença por Adesão e Compromisso (LAC) para empreendimentos de médio porte. Na Agência Brasil , a Ministra de Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Marina Silva, declarou que o PL da Devastação coloca todos os órgãos ambientais sem capacidade de atuação e não se pode admitir que a população fique completamente desamparada. Sobre o ponto preocupante da retirada do poder da União para estados e municípios na definição de atividades que devem ser licenciadas, Marina acrescentou: “Quando se tem o Conselho Nacional de Meio Ambiente estabelecendo regras gerais e, a partir daí, os estados e municípios se orientando, você tem um sistema com coerência”. Para Marina, o discurso de modernidade usado por defensores do PL é um cordeiro com pele de carneiro, um disfarce para retrocessos ambientais. “A gente não pode imaginar que as leis ambientais são para atrapalhar o desenvolvimento. Não há desenvolvimento sem clima equilibrado”, afirma. A Revista Fórum mostra quais foram os deputados que votaram pela derrubada de vetos de Lula no PL da Devastação. ((o))eco , ICL Notícias , A Tarde , Metropoles , Zero Hora e CBN também falaram da judicialização do PL da Devastação. Em tempo: o jornalista Marcelo Leite e a Ombudsman da Folha, Alexandra Moraes , trazem em suas colunas uma semelhança: a crítica à cobertura da votação dos vetos do PL da Devastação, da "pauta bomba" e da MP do setor elétrico. As derrotas não são impostas à Lula, mas ao futuro de todos, impostas à república. Alexandra cita um leitor: "Por favor, definam as situações pelo que elas realmente são. O Lula tem 80 anos. A demolição do licenciamento ambiental não é derrota para quem não vai ser afetado. Vou dar uma sugestão: ‘Congresso derruba vetos à lei de licenciamento ambiental em derrota para os nossos filhos’". Fonte: climainfo.org.br

  • Comissão debate regulamentação da profissão de brigadista florestal

    Vinicius Loures / Câmara dos Deputados Nilto Tatto propôs a realização do debate A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados realiza na terça-feira (2) audiência pública sobre a regulamentação da profissão de brigadista florestal. A reunião será realizada no plenário 2, às 10 horas. Veja quem foi convidado  O debate atende a pedido do deputado Nilto Tatto (PT-SP). Ele afirma que o objetivo é discutir a necessidade de reconhecer e regulamentar a atividade dos brigadistas florestais, responsáveis pela prevenção e pelo combate a incêndios que atingem biomas como Amazônia, Cerrado e Caatinga. Nilto Tatto acrescenta que a falta de reconhecimento legal deixa esses profissionais em situação de vulnerabilidade jurídica, social e trabalhista. “A regulamentação da atividade permitirá o estabelecimento de condições dignas de trabalho, garantias previdenciárias, capacitação adequada e valorização institucional, fundamentais para a continuidade e eficácia das ações de proteção ambiental”, afirma. Fonte: Agência Câmara de Notícias

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