top of page

Oceano está virando 'piscina quente' ao estocar calor do planeta, alertam cientistas

  • Foto do escritor: Frente Parlamentar Ambientalista
    Frente Parlamentar Ambientalista
  • há 42 minutos
  • 3 min de leitura

Mares absorvem até 90% do aquecimento global gerado pelos gases estufa, componentes da fumaça da queima de combustíveis como petróleo e carvão



Dados revelados em um artigo científico publicado neste começo de ano mostram o impacto do aquecimento global sobre os oceanos. Usado como referência pela OMM (Organização Meteorológica Mundial), o estudo liderado por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências, e participação de cientistas de todo o mundo, mostra como os mares estão se tornando uma perigosa “bateria”, guardando o calor aprisionado no planeta pelos gases estufa da queima de combustíveis fósseis.


“Não está marcado em uma régua, mas o oceano tem limite para absorver calor. Se continuar assim, os oceanos vão parar de absorver calor em algum momento e as temperaturas da atmosfera vão subir, gerando mais extremos climáticos”, afirma pesquisadora Regina Rodrigues, professora da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e integrante do IPCC, painel da ONU que monitora a mudança climática.


Marinez Scherer, enviada especial para os oceanos na COP30 e também professora da UFSC, lembra que sob essa pressão de forma prolongada o oceano pode perder a capacidade de fornecer pescado para alimentação humana, além de gradualmente deixar de atuar como parceiro da sociedade na regulação do clima, moderando ondas de calor e ciclos de chuva, por exemplo. “Ou usamos ele [o oceano] como aliado, saudável, ou teremos um problema. Ele, disfuncional, pode regular o clima na direção que não queremos.”


A pesquisa publicada no periódico Advances in Atmospheric Sciences indica que em 2025 foi atingido um recorde no OHC, sigla em inglês para conteúdo de calor no oceano. Esse indicador examina águas a até 2 mil metros de profundidade, e revela o quanto de energia térmica se acumula nesta zona.


Em comunicado sobre o clima em 2025, publicado no último dia 14 , a OMM reforçou o dado de que o ano passado ficou entre os três mais quentes já registrados, e trouxe alertas sobre o reflexo disso nos oceanos. Segundo a agência da ONU, cerca de 90% do excesso de calor resultante do aquecimento global é armazenado nos oceanos, tornando o calor oceânico um indicador crucial das mudanças climáticas

.

Em um ano, o nível global de OHC aumentou aproximadamente 23 zettajoules em relação a 2024, considerando-se uma margem de erro de 8 zettajoules. “Isso equivale a cerca de 200 vezes a geração total de eletricidade mundial em 2024”, pontuou a OMM, demonstrando a magnitude do calor armazenado pelos oceanos.


O indicador, pontua Scherer, mostra que os oceanos estão quentes como um todo, e não apenas na superfície. “Uma enorme piscina quente. A água quando esquenta, demora muito tempo para esfriar. Então, temos que parar de esquentar o mar. Mesmo que paremos de queimar combustíveis fósseis hoje, vamos ter consequências por muito tempo.”

O estudo global indica que, regionalmente, cerca de 33% da área oceânica global apresentou uma das três condições mais quentes de sua história (1958-2025), enquanto cerca de 57% ficou entre as cinco mais quentes, incluindo o Oceano Atlântico tropical e do Sul, o Mar Mediterrâneo, o Oceano Índico Norte e os Oceanos Austrais, evidenciando o aquecimento generalizado dos oceanos em diversas bacias.


“Só estamos com 1,5°C de aumento de temperatura porque esse excesso está indo para os oceanos, e essa medida mostra essa quantidade enorme de calor causada pelas mudanças climáticas”, afirma Rodrigues. “O conteúdo de calor é um termômetro perigoso, que mostra não só o que acontece agora mas um efeito prolongado desse calor aprisionado no oceano por muitos anos, já influenciando o aumento do nível do mar e o derretimento de gelo.”


Soluções


As soluções apontadas pelas cientistas passam por mudanças ambientais e políticas. A queima de combustíveis fósseis é o problema central, e abandonar estas fontes de energia o quanto antes será crucial para determinar a continuação da trajetória revelada pelos dados científicos. No quadro atual, é seguro afirmar que os oceanos possuem calor guardado para influenciar o aquecimento do planeta por décadas.


No campo de políticas públicas, destaca Scherer, é vital organizar e melhorar o nível da gestão das atividades econômicas nos oceanos. Na COP30, o Brasil aderiu ao grupo de países comprometidos a reformular seu planejamento de gestão oceânica até 2030. São considerados dez setores: óleo e gás, mineração, turismo, aquicultura, pesca artesanal, energia, conservação, defesa nacional, navegação, pesca industrial. O objetivo é alinhar todos os setores levando em consideração o cenário climático, em um trabalho de integração da economia do mar.


“Mundialmente temos a pesca, que precisa de organização para termos os estoques com sustentabilidade, e a mudança do clima tem um papel, pois estes estoques podem mudar. As eólicas offshore precisam ser muito bem planejados e é possível levar em conta a justiça climática para a ocupação do espaço. A própria navegação e a descarbonização das frotas, pois é uma fonte de poluição”, observa Scherer.


Fonte: Um só Planeta

Comentários


bottom of page