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Ministros do meio ambiente do G20 não chegam a acordo sobre crise climática



Os ministros do meio ambiente e clima do G20, grupo das 20 maiores economias do mundo, não conseguiram chegar a um acordo sobre novas metas de redução dos gases de efeito estufa e a intensificação da transição energética. O desentendimento expôs ainda mais as diferenças entre países desenvolvidos e emergentes na agenda climática, tornando mais desafiador o caminho até a COP28.

Reunidos em Chennai, na Índia, os representantes do G20 chegaram a discutir uma proposta conjunta para atingir o pico das emissões de gases de efeito estufa até 2025 e reduzi-las em 60% até 2035 em relação aos níveis de 2019. No entanto, algumas nações se opuseram à ideia, argumentando que ela contraria o Acordo de Paris, que dá liberdade a cada país para enfrentar a mudança do clima de acordo com suas circunstâncias.

Ao final, como destacou o Climate Home, as divergências entre desenvolvidos e emergentes ficaram ainda mais latentes. Representantes de países europeus acusaram um “pequeno grupo de nações” de tentar retroceder em compromissos climáticos assumidos pelo G20 no passado. Já os governos emergentes reclamaram da falta de vontade das nações desenvolvidas de ampliar o financiamento internacional para ação climática.

A divisão se manteve na discussão sobre energias renováveis. França, EUA e Coreia do Sul pressionaram para diluir a proposta apresentada pela presidência da COP28 – triplicar a capacidade global de geração renovável até 2030 – tentando tirar o foco das energias renováveis para incluir soluções de “baixo carbono”, inclusive energia nuclear e tecnologias de captura de carbono.


Enquanto isso, países mais “linha dura” – Rússia, Arábia Saudita, China e África do Sul – se opuseram à inclusão de quaisquer metas de energia renovável. Ao final, os países não conseguiram se entender e não adotaram qualquer compromisso nesse sentido.

“Fomos solicitados a fazer escolhas ousadas, a demonstrar coragem, comprometimento e liderança. Mas nós, coletivamente, falhamos em conseguir isso. Não podemos ser movidos pelo menor denominador comum ou por interesses nacionais estreitos”, afirmou Virginijus Sinkevicius, comissário de meio ambiente da União Europeia, citado pela Reuters.

Os desentendimentos do G20 na questão climática também foram abordados por AFP, Al-Jazeera, Associated Press, Bloomberg, Financial Times, O Globo e POLITICO, entre outros.

Em tempo: O chefe do Banco de Desenvolvimento do Caribe alertou para o risco de países em desenvolvimento de renda média atingidos por desastres climáticos devastadores ficarem sem acesso a recursos para situações emergenciais. De acordo com Hyginus Leon, presidente do BDC, os critérios para liberação dos recursos baseados na renda média do país podem criar uma distorção com efeitos devastadores para aqueles mais ricos do que as nações mais pobres, mas ainda assim vulneráveis e expostos à crise climática. “Há significativa heterogeneidade nas necessidades, nos requisitos e no posicionamento de diferentes grupos [de países]”, disse Leon ao Guardian.

Fonte: ClimaInfo

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