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Exposição leva urgência climática do Pantanal ao Congresso Nacional 


Iniciativa da Frente Parlamentar Ambientalista em parceria com a Environmental Justice Foundation e com o Instituto SOS Pantanal, exposição denuncia futuro incerto do Pantanal com seleção de fotografias 



Onça-pintada e seu filhote em meio às cinzas e à vegetação queimada nos incêndios de 2020. Foto: Edson Vandeira. Pantanal, setembro de 2020. 


De um lado, beleza e riqueza inigualável, de outro, morte e destruição. Qual é, afinal, o Pantanal que está sendo deixado para as futuras gerações? Este é o questionamento que será feito a partir da próxima semana àqueles que visitarem os corredores do Congresso Nacional. Com a exposição “Pantanal: Herança e Legado”, o público será transportado até uma das maiores áreas úmidas do mundo através dos registros de alguns dos mais destacados fotógrafos brasileiros que já documentaram as maravilhas e tragédias nas quais o bioma tem mergulhado. 


Iniciativa da Frente Parlamentar Ambientalista, da Environmental Justice Foundation (EJF) e do Instituto SOS Pantanal, a exposição será lançada na semana do maior felino das Américas, a onça-pintada, durante um café da manhã que acontece no dia 28 de novembro no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, e ficará aberta à visitação até o dia 14 de dezembro, no Corredor do Anexo I da Câmara dos Deputados. Mais do que celebrar o bioma, a “Pantanal: Herança e Legado” busca instigar a reflexão sobre o futuro que está sendo legado para o bioma, assim como despertar discussões importantes sobre maneiras de protegê-lo. 


“Esperamos que parlamentares e todo o povo brasileiro tenham consciência da magnitude da missão que recebemos hoje: de cuidar de um bioma e toda a sua riqueza e de assegurar a sua sobrevivência frente à crise climática e ambiental como um todo”, disse Steve Trent, Diretor-Executivo e Fundador da EJF.


O Pantanal é uma jóia da biodiversidade, abrigando inúmeras espécies de plantas, aves, peixes, mamíferos, répteis e anfíbios. É o lar de animais raros e ameaçados, como a ariranha, a anta brasileira, a arara-azul e o lobo-guará, entre outros. Entretanto, apesar da riqueza e valor ecológico, o bioma enfrenta ameaças relacionadas à intensificação da pecuária, expansão de monoculturas, mineração, hidrelétricas e incêndios.


“Estamos em um momento decisivo para o Pantanal. As escolhas que fizermos hoje sobre o ordenamento do uso da terra, prevenção e combates a incêndios florestais e recuperação de áreas degradadas determinarão a existência ou não do bioma para nossos filhos e netos”, disse Luciana Leite, Defensora da Biodiversidade e do Clima da EJF no Brasil. 


Em 2020, quase um terço do Pantanal foi destruído pelo fogo, causando a morte de cerca de 17 milhões de animais e a liberação de enormes quantidades de CO2 na atmosfera. Neste ano, o bioma é novamente atingido por incêndios que já destruíram cerca de um terço do Parque Estadual Encontro das Águas, unidade de conservação em Mato Grosso que tem uma das densidades populacionais de onças-pintadas mais altas do planeta.


No Pantanal como um todo estima-se que mais de um milhão de hectares já tenham sido queimados neste ano, dos quais cerca de metade foram registrados apenas neste mês, que já é o pior novembro de fogo do bioma desde 1988, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Os números de 2023 já superam os de 2022 e se aproximam dos de 2021. 


“Esse ano estamos assistindo a cenas que esperávamos não assistir novamente, não depois de tão pouco tempo do bioma ter sido severamente afetado pelos incêndios de 2020, e também de 2021. É necessário investir em prevenção, logística, integração entre os governos estaduais e federal, e, sobretudo, em manejo integrado do fogo e em soluções locais para adaptação às mudanças climáticas. Nesse momento, se questionar sobre o futuro que estamos deixando para o Pantanal significa também refletir se vamos escolher ser omissos diante das ameaças que esse bioma enfrenta”, disse Leonardo Gomes, Diretor Executivo do Instituto SOS Pantanal.


Ao todo, a exposição reúne registros de 12 fotógrafos de diferentes partes do país: Edson Vandeira; Ernane Lacerda; Gustavo Figueirôa; Heideger Nascimento; Henrique Olsen; João Marcos Rosa; Larissa Pantanal; Lalo de Almeida; Luciano Candisani; Maurício Copetti; Thamys Trindade; e Ueslei Marcelino. 


Os registros concebem a dual realidade que tem vivido esse ecossistema único: a que revela sua beleza majestosa e a de imagens perturbadoras que mostram as ameaças que ele enfrenta. Em 2024, a mostra se tornará itinerante e deve percorrer as capitais de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estados que compreendem a porção brasileira do Pantanal. 


“O Parlamento brasileiro precisa olhar com mais atenção para o Pantanal. Frequentemente nas comissões e no Plenário nos deparamos com projetos que fragilizam um cenário já bastante agudo de destruição desse bioma fundamental ao nosso país. O evento e a exposição serão importantes para abrir os olhos de tomadores de decisão sobre o que está acontecendo lá neste momento”, disse o deputado federal Nilto Tatto, coordenador da Frente Parlamentar Mista Ambientalista na Câmara dos Deputados.


Sobre os fotógrafos:

Fotógrafo e filmmaker especializado em meio ambiente, aventura e cultura, Edson quer que suas imagens revelem a urgência de proteger o planeta. Desde 2013 ele acompanha pesquisadores em lugares como a Antártica e a América do Sul, para divulgar ciência, conservação e mudanças climáticas. Para Vandeira, as imagens são ferramentas poderosas para contar histórias.


Cirurgião dentista de formação, Ernane é fotógrafo de natureza desde 2009. De lá pra cá já são mais de 300 viagens a maior superfície alagada do planeta só para fotografar. Em 2021, foi finalista do prestigiado “Wildlife Photographer of The Year”.


Biólogo, especialista em Manejo e Conservação da Fauna Silvestre, com pós-graduação em andamento em Comunicação Pública da Ciência. Com passagens pelo Instituto Butantan e Associação Onçafari, Gustavo trabalhou com manejo de fauna em cativeiro e em vida livre. Foi gestor de parques e áreas verdes em São Paulo, onde foi um dos elaboradores da proposta de criação do Refúgio de Vida Silvestre Anhanguera. Já atuou como consultor ambiental especializado em herpetofauna. É co-fundador da GreenBond, agência de comunicação especializada em projetos de conservação, e desde 2019 faz parte do Instituto SOS Pantanal, onde atualmente é Diretor de Comunicação e Engajamento.


Heideger "Hei" Nascimento, é um homem preto, nordestino e observador. Biólogo de formação, fotógrafo e contador de histórias, recebeu o chamado do Pantanal nos incêndios de 2020 e, desde então, se dedica completamente ao bioma. Atua no terceiro setor desde que se entende por gente, passando por projetos no mar, em terra seca, em ilhas e agora, na planície alagada. Hoje atua como coordenador de mídias do projeto Chalana Esperança e criador de conteúdo visual na Environmental Justice Foundation (EJF), mas prefere dizer que trabalha mesmo é com conexões. Para Hei, a fotografia é sobre mexer com gente e, como costuma dizer, “educar é preciso, mas apaixonar é urgente”.


Henrique dedica 10 anos de sua carreira inteiramente à fotografia de natureza, vida 

selvagem e conservação, desenvolvendo inúmeros projetos ao redor do mundo. Em 2020, durante a grande tragédia no Pantanal brasileiro, Olsen decidiu concentrar seus esforços em projetos que buscam a conservação do bioma único e ameaçado que é o Pantanal, onde se encontra a maior concentração de onças-pintadas do planeta. Desde então, Henrique tornou-se especialista na fotografia destes magníficos felinos, e tem trabalhado constantemente para inspirar as pessoas a preservar a natureza através das suas fotografias.


Fotógrafo brasileiro apaixonado pela cultura e vida selvagem. Jornalista por formação, é um dos sócios fundadores da Nitro Imagens e tem especial talento para contar histórias visuais ligadas à biodiversidade e à conservação ambiental. Autor de cliques premiados, coleciona publicações e cenas mágicas da natureza em instantes únicos. Ao documentar a ação humana, lança olhar sensível e reverente sobre histórias e pessoas que, como ele, dedicam amor e devoção à natureza. Desde 2004 é colaborador da National Geographic. É autor dos livros Harpia, Jardins da Arara de Lear e Diário de um Outono Particular. Em 2022 se tornou membro da Liga Internacional dos Fotógrafos pela Conservação (ILCP, da sigla em inglês), que reúne os principais nomes mundiais da fotografia e cinema de natureza.


Nascida e criada no Pantanal Norte em 1989, Larissa começou a guiar passeios de história natural desde muito cedo. Quando adolescente, foi treinada como guia em uma das pousadas mais famosas do Pantanal, onde aprendeu a observar e abordar a vida selvagem com cuidado e respeito. Ao testemunhar alguns dos dos momentos mais incríveis da vida selvagem, seu amor pela fotografia e a capacidade de capturar esses momentos momentos se envolveu intimamente não apenas com o bioma, mas também com as lentes capaz de eternizar suas experiências e mostrar aos outros a beleza preciosa desse lugar e de seus habitantes.


Estudou fotografia no Instituto Europeo di Design em Milão, Itália. Há 30 anos trabalha para o jornal Folha de São Paulo onde vem desenvolvendo narrativas multimídias premiadas internacionalmente como Um Mundo de Muros, Desigualdade Global, A Batalha de Belo Monte e Crise do Clima. Seu ensaio sobre as crianças vítimas do vírus Zika foi premiado em 2017 no “World Press Photo”. Em 2021, sua série de fotografias “Pantanal em Chamas” foi premiada em primeiro lugar na categoria Meio Ambiente novamente no “World Press Photo”. Também em 2021 foi escolhido como fotógrafo Ibero-americano do ano pelo “Pictures of the Year” (POY) Latam. Paralelamente ao fotojornalismo sempre desenvolveu trabalhos de documentação fotográfica como o projeto Distopia Amazônica, que recebeu o “Eugene Smith Grant in Humanistic Photography” e foi o vencedor global na categoria Projetos de Longo Prazo no “World Press Photo” em 2022.


Luciano Candisani produz há duas décadas narrativas fotográficas que interpretam culturas tradicionais e ecossistemas ao redor do mundo. Suas imagens, reconhecidas com alguns dos principais prêmios da fotografia mundial, reúnem uma identidade estética e se equilibram de forma peculiar entre arte e documento.Seus trabalhos aparecem em exposições, galerias de arte e museus ao redor do mundo e são publicadas por revistas conceituadas, como a norte-americana National Geographic e a alemã GEO, além de vários jornais, como o britânico The Guardian e os brasileiros O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, entre outros.


Cineasta e fotógrafo, já realizou filmes autorais e trabalhou para inúmeros documentários de vida selvagem. Recentemente, Maurício tornou-se ambientalista ao fundar o Instituto Delta do Salobra (IDS), organização que fomenta a conservação de um refúgio fundamental para a manutenção da biodiversidade pantaneira. 


Jornalista, fotógrafa e documentarista de natureza, que atua no Pantanal desde 2018. Sempre conectada com temas socioambientais, já trabalhou para diversas ONGs nacionais e internacionais, além de ter projetos em importantes canais como TV Globo e National Geographic, e fotos publicadas pela WWF e BBC. Recentemente, "Jaguaretê-Avá: Pantanal em Chamas", filme em que trabalhou como cinegrafista e produtora, foi incluído na Seleção Oficial do Wildscreen 2022, o maior festival de filmagem de vida selvagem do mundo, onde a obra também recebeu o Mérito de Sustentabilidade no evento. Neste mesmo ano, Thamys foi premiada com uma bolsa de estudos para talentos emergentes da National Geographic UK, sendo a única mulher brasileira a ter ganho essa honra em um nicho majoritariamente protagonizado por homens.


Formado em publicidade, Ueslei diz-se predestinado a ser fotojornalista. Sua carreira por trás das lentes começou enquanto era técnico no laboratório fotográfico da Folha de São Paulo na capital brasileira. Como freelancer, suas imagens foram amplamente divulgadas em revistas e jornais de grande circulação nacional, juntamente com trabalhos que fez ao longo de três anos para a agência de fotografia esportiva AGIF. Em 2011, foi contratado como fotógrafo pela Reuters News. Em 2018, foi premiado pela Reuters como “Fotojornalista do Ano” e, em 2019, fez parte da equipe da Reuters que ganhou o Prêmio Pulitzer de Fotografia de Notícias de última hora.


Serviço:


  • Lançamento da Exposição “Pantanal: Herança e Legado”

Local: Salão Nobre da Câmara dos Deputados

Dia: 28 de novembro 

Horário: Das 8h às 10h da manhã


  • Exposição “Pantanal: Herança e Legado”

Curadoria: Environmental Justice Foundation e Instituto SOS Pantanal

Realização: Environmental Justice Foundation, Instituto SOS Pantanal e Frente Parlamentar Ambientalista

Local: Corredor do Anexo I da Câmara dos Deputados 

Período: 28 de novembro a 14 de dezembro de 2023

Aberta para visitação.


Sobre a Environmental Justice Foundation (EJF)

A Environmental Justice Foundation trabalha internacionalmente para informar políticas e promover reformas sistêmicas e duradouras para proteger o meio ambiente e defender os direitos humanos. Investiga e expõe abusos e apoia defensores ambientais, povos indígenas, comunidades e jornalistas independentes na linha de frente da injustiça ambiental. As campanhas da organização visam garantir um futuro pacífico, equitativo e sustentável.


Instagram: @ejfoundation

Facebook: ejfoundation


Sobre o Instituto SOS Pantanal

Fundado em 2009, o Instituto SOS Pantanal é uma instituição sem fins lucrativos que promove a conservação e o desenvolvimento sustentável do bioma Pantanal por meio da gestão do conhecimento e da disseminação de informações sobre o ecossistema para governos, formadores de opinião, comunidades, fazendeiros e pequenos proprietários de terra da região, assim como à população em geral. Tem por missão, ainda, atuar permanentemente em prol da conservação da biodiversidade e dos recursos naturais.


Instagram: @sospantanal

Facebook: institutosos.pantanal


Sobre a Frente Parlamentar Ambientalista

A Frente Parlamentar Ambientalista reúne partidos e parlamentares na Câmara dos Deputados e no Senado com o objetivo de atuar em conjunto com a sociedade civil para criação de ações governamentais e não-governamentais que visem padrões sustentáveis de desenvolvimento.



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