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COP28: "O pessoal descobriu que as florestas são o grande ar-condicionado do planeta", diz Rodrigo

Principal mecanismo de prevenção e combate ao desmate, Fundo Amazônia completa 15 anos e recebe novos aportes na COP28; Para presidente do Ibama, Brasil voltou a fazer "dever de casa"


Quando desembarcou em Dubai para a COP28, com a maior delegação da conferência climática da ONU (perdendo só para os lobistas do petróleo), o Brasil se apresentou como um provedor de soluções. De saída, o país anunciou o plano Florestas Tropicais para Sempre (FFTS), um modelo de financiamento para que nações preservarem suas florestas.


O instrumento buscará captar US$ 250 bilhões e pode beneficiar pelo menos 80 países que possuem florestas tropicais, a partir de recursos de múltiplas fontes – investidores privados e institucionais, filantropias, fundos bilaterais e multilaterais, e principalmente fundos soberanos, criados por alguns países para acumular riquezas.


Há grandes chances do fundo decolar. E o Brasil, com 60% de seu território coberto por florestas, desempenhará papel-chave nessa tarefa. Para Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama, o mundo despertou para a função ecossistêmica das florestas, que sofrem com desmatamento e a degradação, fatores que contribuem com o aquecimento global. "O pessoal descobriu que as florestas não são o pulmão do mundo [os oceanos fazem esse papel], mas elas são o grande ar-condicionado do Planeta", disse ao Um Só Planeta, destacando o papel das florestas na manutenção da segurança hídrica e no equilíbrio climático.


Absorvendo quase 30% das emissões anuais de CO2, vilões do aquecimento global, elas são responsáveis por resfriar a temperatura da Terra em pelo menos 1°C. "Claro que não significa que o setor florestal é quem vai salvar o clima, mas sem as florestas, esquece, não tem como pensar em soluções". O presidente do Ibama avalia que o Brasil, que sediará a COP30, em 2025, no Pará, voltou a assumir protagonismo no debate climático por ter retomado sua "lição" de casa no combate ao desmatamento, com a redução de 50% do desmatamento na Amazônia de janeiro a novembro deste ano, ante o mesmo período de 2022.



"Talvez não tenhamos apenas evitado a destruição de 500 mil hectares de Amazônia, mas talvez reduzido 200 milhões de toneladas de carbono equivalente", disse Agostinho. O feito, conseguido com a retomada de ações de comando e controle na região, atraiu olhares e dinheiro. Noruega e Reino Unido anunciaram nesta segunda-feira (11) doação de mais US$ 94 milhões ao Fundo Amazônia, principal mecanismo financeiro de suporte à prevenção e combate ao desmatamento no país e que completa 15 anos de existência: US$ 50 milhões do montante virão da Noruega e o restante do governo britânico.


"O Fundo Amazônia provou ser uma solução eficaz para apoio financeiro às florestas tropicais do Brasil ampliando os esforços na Amazônia", disse diz Tørris Jæger, diretor executivo da Fundação Rainforest Norway. Nos últimos anos, o fundo foi largamente apoiado pela Noruega (94%) e Alemanha (6%) e mais recentemente também atraiu promessas de aporte da Suíça, Reino Unido, Dinamarca e EUA. "Porém, esses apoios prometidos precisam ser desembolsados para o fundo", observou.


E o petróleo?


Falando sobre os desafios gerais da conferência da ONU, o presidente do Ibama disse que é preciso acelerar a transição energética das fontes fósseis para as renováveis em todo o mundo. Afirmou ainda que o Brasil já deu inicio ao "phase out", termo referente à eliminação progressiva das energias mais poluentes. "Embora estejamos licenciando algo em torno de 100 projetos novos de petróleo e gás, estamos licenciando o desmonte, o descomissionamento, de 60 projetos de navios-plataformas de petróleo", contou ao Um Só Planeta, reconhecendo porém que tanto o país quanto o mundo precisam acelerar esforços de transição.


Apesar desse movimento, o Brasil, com uma das maiores empresas de petróleo do mundo -- a Petrobras -- tem interesse de aproveitar os minutos finais da produção de óleo. Embora tenha anunciado a expansão de investimentos em fontes renováveis, o valor ainda é módico considerado o previsto para as fontes fósseis. Dos US$ 102 bilhões (cerca de R$ 500 bilhões) anunciados pela empresa para o período de 2024 a 2028, US$ 11,5 bilhões serão destinados a projetos de baixo carbono.



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