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Dez questões climáticas para ficar de olho em 2024

Atualizado: 9 de jan.

Eleições nos Estados Unidos, aplicação do fundo de perdas e danos e nova meta financeira global para o clima serão alguns dos pontos importantes ao longo dos próximos 12 meses



As questões climáticas dominaram 2023. Nos últimos doze meses, o mundo todo teve de lidar com calor recorde, seca extrema, tempestades sem precedentes e poluição em alta, e suas consequências no dia a dia a na saúde das pessoas. E como será em 2024? A plataforma Climate Home elencou 10 questões climáticas para ficar de olho neste novo ano.


1. Quem vencerá as eleições nos EUA?


Este ano, haverá eleição presidencial nos Estados Unidos, e os olhos do mundo todo se voltarão para o país, sobretudo por conta do seu enorme poder sobre as resoluções envolvendo o clima.

E elas deverão variar muito a depender de quem assumir o cargo. Ao que tudo indica, irão para a disputa o atual presidente, o democrata Joe Biden, e o ex-dirigente, o republicado Donald Trump, e pesquisas sugerem que este segundo é quem tem maior probabilidade de vencer, o que prejudicaria significativamente as esperanças climáticas antes da COP29.

Quando foi presidente, Trump retirou os Estados Unidos do acordo de Paris. Já Biden voltou a aderir e, ao longo de seu mandato, investiu US$ 369 bilhões em projetos relacionados ao meio ambiente.

Além da eleição para presidente, haverá no país disputas para deputados e senadores. Caso o controle republicano seja maior, o financiamento climático poderá ficar comprometido.

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2. Qual será a nova meta financeira global para o clima?


O financiamento para o clima, em 2023 foi menor do que o para combustíveis fósseis. Mas isso poderá mudar este ano, uma vez que, como destaca o Climate Home News, os países terão de negociar um novo objetivo financeiro para 2025 em diante ao final da COP29, que será realizada em novembro em Baku, no Azerbaijão.

Além disso, França e Quênia lançaram um grupo de trabalho sobre como obter dinheiro para o clima. As opções incluem não somente os governos, mas também impostos sobre transporte marítimo internacional, aviação, transações financeiras e combustíveis fósseis.


3. As emissões finalmente começarão a diminuir?


A cada ano os humanos emitem mais gases de efeito de estufa (GEE) do que o ano anterior. Mas a expectativa é que isso mude a partir de agora. Segundo um relatório da Climate Analytics, há 70% de probabilidade de que as emissões atinjam o pico em 2023 e comecem a cair em 2024.

Mas o Climate Homes News observa que, ainda assim, a quantidade de GEE tende a se manter alta na atmosfera. ”Uma banheira não esvazia porque você coloca menos água nela a cada ano – você tem que liberar o ralo”, exemplificou.


4. Quando o fundo de perdas e danos começará a ser aplicado?


Em 2022, as nações ricas concordarem com um fundo para perdas e danos. No ano passado, os líderes globais chegaram a um acordo sobre esta proposta, na COP 28, mas ainda não se sabe quando a operação começará efetivamente.

Em um primeiro momento, os grupos regionais estão nomeando seus membros para o conselho de administração do fundo. Depois, esse conselho precisa se reunir, chegar a um acordo sobre as políticas, receber o dinheiro prometido e só então começar a distribuí-lo.


5. Os países irão consolidar as metas de adaptação?


Durante a COP28, realizada em 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, os governos concordaram, após dois anos de discussões, em definir metas de adaptação às alterações climáticas em áreas como a saúde, a segurança alimentar e a proteção da natureza.

Agora, eles passarão outros dois anos discutindo se deveriam ter números associados a essas metas e quais deveriam ser esses números. E, enquanto os países em desenvolvimento querem saber os valores, os desenvolvidos argumentam que isso não consegue mostrar até que ponto se adaptaram bem às mudanças climáticas.


6. Os governos irão eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis?


Já se passaram mais de 10 anos desde que os países começaram a prometer eliminar os subsídios ao petróleo, gás e carvão. Só que nenhum fez realmente algo na prática.

Na COP28, algumas nações, incluindo França e Canadá, criaram uma coligação para tentar finalmente transformar a promessa em realidade – elas se comprometeram a elaborar um inventário dos seus subsídios aos combustíveis fósseis até a COP29.


7. Os acordos de transição do carvão continuarão decepcionantes?


Segundo o Climate Home News, as parcerias Just Energy Transition (JETP), focada em uma transição energética justa, enfrentaram uma dura realidade em 2023, quando os planos de investimento foram revelados.

O ponto é que os países ricos estão oferecendo a maior parte do seu dinheiro como empréstimos e não como subvenções, o que torna incerto os planos para desligar precocemente as centrais a carvão na África do Sul, na Indonésia e no Vietnã.


8. E o tratado sobre plástico?


Após reuniões realizadas em Ottawa (Canadá), em abril, e em Busan (Coréia do Sul), em novembro, os negociadores mundiais estão agora debatendo um projeto de um novo tratado sobre plásticos, que esperam finalizar até ao final de 2024.

Uma opção discutida é o estabelecimento de limites para a quantidade de plástico que cada país pode produzir. Países da Europa e da África concordam, mas os Estados Unidos e a Arábia Saudita não.


9. Como as empresas irão se preparar para o imposto fronteiriço sobre carbono da União Europeia?


A União Europeia lançou um imposto fronteiriço sobre carbono que incentiva as empresas que fabricam determinados produtos poluentes fora do bloco e a limparem a sua produção.

A entrada em vigor está prevista para 2026, e o que se espera que muitas companhias façam apenas um greenwashing (propaganda verde enganosa) para tentar diminuir a sua carga fiscal.

Muitos países em desenvolvimento consideram este imposto uma medida comercial protecionista injusta, disfarçada de preocupação com o ambiente.


10. Os mercados de carbono ganharão integridade?


Diversos escândalos colocaram os mercados de carbono – e o mercado voluntário, em particular – diante de uma crise de credibilidade, resultando em uma diminuição da demanda.

O Conselho de Integridade para o Mercado Voluntário de Carbono, um novo órgão semelhante a um regulador, está tentando desviar os compradores das compensações duvidosas para as de qualidade. E espera-se que aplique o seu selo de qualidade no primeiro lote de créditos ainda no começo deste ano.


Por Redação, do Um Só Planeta

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