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“Os estados podem fazer muito, protegendo a Mata Atlântica e recuperando o bioma”

Na semana do Meio Ambiente, o estado do Rio de Janeiro foi o terceiro estado a sediar a rodada de debates estaduais, que aconteceu nesta segunda-feira, 6 de junho. O objetivo é discutir a contribuição dos estados na implementação da NDC brasileira (Contribuição Nacionalmente Determinada). O Acordo de Paris e a NDC brasileira são convenções que regem medidas de redução da emissão de dióxido de carbono, esse compromisso é fundamental para obtenção de resultados concretos rumo à economia de baixo carbono.

A Frente Parlamentar Ambientalista juntamente com Instituto Clima e Sociedade- ICS, tem a missão de realizar esses debates em parcerias com as Frentes estaduais da Frente Ambientalista, em que cada estado apresenta suas metas e contribuições para os esforços globais de redução de emissões.


O Debate aconteceu de maneira híbrida na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), foram convidados para participar, o coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional, Deputado Federal Alessandro Molon,Diretor de Relações Institucionais da Anamma Brasil, Mario Mantovani, Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista do Rio de Janeiro, Deputado Estadual Carlos Minc,Coordenadora de Política Climática do Instituto Clima e Sociedade( ICS), Marina Marçal, Branch Manager at The Climate Reality Project Brasil, Renata Moraes, Senior Policy Advisor at The Climate Reality Project Brasil, Sérgio Besserman, Subsecretário de Conservação da Biodiversidade e Mudanças do Clima da Secretaria de Meio Ambiente do Estado - SEAS, Flávio Francisco Gonçalves, Pesquisador de Ciclagem de nutrientes e gases de efeito estufa da EMBRAPA Agrobiologia, Bruno José Rodrigues Alves, Especialista em Sustentabilidade da Federação das Indústrias do Estado - FIRJAN, Andréa Lopes, Deputada Federal, Talíria Petrone e Deputada Estadual do Rio de Janeiro, Mônica Francisco.


O Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista do Rio de Janeiro, Deputado Estadual Carlos Minc, iniciou o debate destacando a importância do projeto, explicou que as reuniões estão acontecendo em todos os estados do Brasil, nas representações de suas respectivas frentes parlamentares ambientalistas. "Aqui no Rio, nós conseguimos acabar com praticamente todos os lixões, principalmente os que ficavam em volta da Baía de Guanabara. O Rio também passou de maior para menor desmatador da Mata Atlântica. Mas os últimos dados são muito ruins, o aumento do desmatamento foi de 66%, segundo dados do Instituto de Pesquisas Espaciais. As consequências disso são deslizamentos e mortes, o que vemos todos os dias", disse o parlamentar.


O Deputado estadual, destacou também, o Ato pela Terra em que esteve presente, o evento aconteceu em março deste ano, reunindo artistas, intelectuais e organizações da sociedade civil, em protesto contra o chamado “pacote da destruição”, uma junção de projetos de leis que ferem os direitos ambientais, Carlos Minc, lembrou do compromisso feito pelo Presidente do Congresso Nacional, Senador Rodrigo Pacheco que prometeu cautela na análise de cinco projetos de lei listados no pacote da destruição. “O senador Pacheco se comprometeu conosco, que antes da votação de qualquer um dos quatro projetos que está no senado que houvesse audiência pública com cientistas e só depois seriam votados, para não comprometer sem ouvir a ciência o futuro, um desses quatro projetos que é o do agrotóxico está para entrar em pauta”.


“Resistência também é uma forma de comemorar”


O Diretor de Relações Institucionais da Anamma Brasil, Mario Mantovani,defende a importância na implementação de políticas e medidas para enfrentar as mudanças do clima para que o Brasil cumpra com a sua responsabilidade. "Nós conseguimos sair de Paris e aprovar por todos os deputados do Congresso Nacional a validação do acordo de Paris e das metas do Brasil, comemorou.


O Diretor falou sobre clima e a biodiversidade, que tem papel determinante no aumento da temperatura e mudanças climáticas, "nós temos muito o que plantar e muito o que fazer com os viveiros, esse é o grande caminho do Brasil para dar emprego, para fazer adequação das propriedades e combater o pior do Brasil que é a questão fundiária”.


Mario Mantovani, citou alguns projetos ambientais do qual faz parte, entre eles a Fundação Florestal de São Paulo, que tem a meta de restauração de um milhão e cem mil hectares, o que representa quase 10% da meta nacional no estado. “A gente tá cobrando o papel do legislador, que é aquele que acompanha o executivo naquilo que ele se propõe, tanto do ponto de vista dos projetos de leis quanto na execução de políticas públicas.'' completa.


A Coordenadora de Política Climática do Instituto Clima e Sociedade (ICS)Marina Marçal, falou da expectativa com a realização dos debates estaduais, do poder legislativo em acelerar ou atrasar os avanços nas pautas ambientais. A coordenadora destacou a importância de todos os setores trabalharem juntos, Governamental, sociedade civil e setor privado. “ Os atores governamentais e estatal tem tido um papel de liderança muito forte nessa agenda” Marina lembrou que na última COP-26 (26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), principal cúpula da ONU para debate sobre questões climáticas, o Brasil conseguiu um feito inédito de ter a participação de 10 governadores e mais de 10 parlamentares na Conferência. “A gente precisa de um apoio conjunto do que o executivo tem se comprometido com o legislativo de criar projetos de leis que aceleram a descarbonização, o Brasil que é o primeiro país da américa altina a ter uma lei de educação ambiental, temos que falar disso com muita força, entendendo o peso de um ano eleitoral, para que a gente possa trazer o clima para o centro do debate este ano”, completa.


Justiça Climática


O consultor de políticas sênior da Climate Reality Project Brasil, Sergio Besserman, defendeu que atualmente, não se fala mais em mudança climática, e sim em emergência climática. “Não são mais gerações futuras. De oito bilhões de seres humanos, três bilhões estarão vivos em 2100 e assistirão a uma grande mudança na natureza e no planeta. A mobilização do jovem, a mudança de cultura e de hábitos é a nossa maior esperança”, comentou.

Sérgio Bessermanr, explica sobre a meta de carbono zero, que é preciso traçar um caminho para se obter esse êxito, e analisa não ser possível. “A ciência tem que ser sempre conservadora, coisas que esperávamos para daqui 30 anos já começaram a acontecer de forma acentuada, e existem coisas não esperadas e não estudadas pela ciência que já estão acontecendo”, o consultor citou eventos atípicos que aconteceram no mundo como ondas de calor e enchentes em lugares não prováveis.


Sérgio chama a atenção para as comunidades mais pobres que são as principais afetadas com as crises climáticas.“A família que perde um único lar em uma enchente vai ter que trabalhar duro para levantar sua casa”, pontua.


A Branch Manager at The Climate Reality Project Brasil, Renata Moraes, falou da necessidade de se investir em educação,”é urgente estar nas escolas e universidades explicando o que está acontecendo”.


Renata destaca que a mudança climática é uma pauta para todos os grupos, e que afeta todas as outras causas, como a LGBT, o racismo e feminismo.”A causa ambiental não é mais importante, mas vem antes de todas as outras. A gente tem tentado fazer um trabalho muito forte falando de mudança climática de uma maneira simples para que todos compreendam”,completa.


O coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional, Deputado Federal Alessandro Molon, afirma que o Rio de Janeiro tem muito a colaborar na política climática. "Apesar de o Brasil, do ponto de vista nacional, não estar agindo bem na preservação do meio ambiente, os estados podem fazer muito, protegendo a Mata Atlântica e recuperando o bioma”, disse.


O Deputado, destaca a eficácia de uma transição para a economia verde, que tem o conceito que busca aliar o crescimento econômico com justiça social e preservação do meio natural. "A gente vai emitir uma giga tonelada por ano, metade das nossas emissões, isso significa criar emprego e renda,prosperidade e bem estar que só é possível se for um projeto nacional”, pontua.


O Subsecretário de Conservação da Biodiversidade e Mudanças do Clima da Secretaria

de Meio Ambiente do Estado - SEAS, Flávio Francisco, explica que a expectativa é entregar ainda no segundo do semestre deste ano, relatório com Instrumento de Inventário de Emissão de Gases do Efeito Estufa, “estamos trabalhando para isso contando com toda equipe do apoio técnico, será um grande avanço porque essas informações colaboram muito, por exemplo com a idealização de novas políticas e tecnologias, e ajudam todos aqueles que pensam em soluções e inovações para o avanço de uma economia verde e uma descarbonização do cenário econômico do estado do Rio de Janeiro e do Brasil todo”,explica.


O Subsecretário, informou ainda, que está previsto também para o final deste semestre um Fórum do Clima, em que será lançado o Cadastro Estadual de Emissões, um importante instrumento de gestão ambiental, que será apresentado juntamente com o Portal do Observatório de Mudanças do Clima do estado do Rio de Janeiro.“Iremos discutir soluções para as questões climáticas do Rio de Janeiro e um novo cenário de economia, que eu acho que é um grande desafio para os próximos governantes do estado'', completa.

subsecretário municipal de Igualdade Racial e Direitos Humanos de Campos dos Goytacazes, Gilberto Firmino Coutinho Júnior


Racismo Ambiental


A Deputada Estadual do Rio de Janeiro, Mônica Francisco, lembrou sobre a tragédia com as chuvas intensas que vem acontecendo em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, as chuvas vêm causando mortes e afetando diversas regiões da cidade,a deputada abordou sobre o racismo ambiental e aponta, que mulheres negras são as principais afetadas. "hoje olhando para o orçamento do estado a gente tem um pouco mais de 600 milhões para a questão da gestão ambiental, a gente precisa garantir educação ambiental, garantir a efetivação de programas que diminuam o impacto na vida das pessoas que já vivem em situação de vulnerabilidade, são perdas de vida concreta, com gênero, classe e raça em petrópolis o maior número de mortes foram de mulheres”, pontua.

Agronegócio


O Pesquisador de Ciclagem de nutrientes e gases de efeito estufa da EMBRAPA Agrobiologia, Bruno José Rodrigues Alves, explica que o Rio de Janeiro,tem o segundo Produto Interno Bruto- PIB do país, com uma grande demanda de alimentos, que o caminho é desenvolver a agropecuária do estado de forma mais sustentável. “A gente precisa conhecer onde a gente planta e produz”.


O pesquisador falou do projeto Pronasolo idealizado pelo FIRJAN em parceria com a EMPRAPA, e fala sobre as técnicas de irrigação e mitigação, “a ideia é caminhar para um sistema integrado com árvores, para que tenha retenção de carbono, é a principal arma que a gente no momento para conter o aquecimento global”, explica.


A Especialista em Sustentabilidade da Federação das Indústrias do Estado - FIRJAN, Andréa Lopes, apresentou resultados de alguns projetos da FIRJAN, um deles é o prêmio FIRJAN de Sustentabilidade, tendo uma de suas categorias mudanças climáticas, que mostram o sequestro de emissões de mais de 4,6 milhões de toneladas de gases do efeito estufa.


A especialista aponta que grandes empresas já estão divulgando voluntariamente as suas metas de redução de emissões com uma visão em uma trajetória de descarbonização. “As práticas ambientais, sociais e de governança das empresas, estão cada vez mais valorizadas pela sociedade, pelos consumidores e pelos investidores", completa.


“O estado do Rio e o Brasil podem dar o exemplo no processo de descarbonização", finalizou Luiz Firmino, assessor do Coordenador da Frente Ambientalista do Rio de Janeiro, Deputado Estadual Carlos Minc.

Acompanhe a live completa no canal do Youtube da Frente Ambientalista;



Reportagem – Larissa Nunes Jornalista da Frente Ambientalista

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