Frente Parlamentar Ambientalista
Frente Parlamentar Ambientalista > Observatório de Leis > > Na Frente Ambientalista, CNBB defende a ‘conversão ecológica’ do Papa Francisco

Deputados, senadores e representantes de entidades da sociedade civil lotaram, nesta quarta-feira (8), evento da Frente Ambientalista, na Câmara dos Deputados, para ouvir Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário-geral da CNBB, discorrer sobre a encíclica Laudato Si, do Papa Francisco.

Presidindo a mesa do evento, Sarney Filho (PV-MA), líder do Partido Verde e coordenador da Frente, destacou “a oportunidade da manifestação papal no momento que a gente está vivendo, um momento de crise socioambiental, momento em que o aquecimento global começa a bater na porta de todo o mundo”. O deputado enfatizou a grande responsabilidade atribuída pelo Sumo Pontífice à política internacional, às vésperas da COP 21 – a Conferência das Nações Unidas para o Clima, que se reunirá em novembro deste ano, em Paris, e deverá definir um acordo global, com a fixação de metas para a redução da emissão de gases do efeito estufa na atmosfera.

Dom Leonardo começou sua explanação relatando que há dois anos, quando esteve com o Santo Padre, perguntou-lhe se teríamos uma encíclica sobre o meio ambiente, e o Papa respondeu que sim. Portanto, o desejo de tratar com profundidade o tema está presente desde o início de seu pontificado. Ele comentou que o texto é inovador até no título, que tradicionalmente é dado em latim e o Papa manteve em italiano, língua original da oração de São Francisco de Assis, evocada em ‘Laudato si’.

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil explicou que a noção central do texto é a palavra ‘relação’ em suas diversas acepções. “Se trata da relação entre nós, pessoas humanas, se trata da relação entre pessoas humanas e os seres animados e inanimados, se trata das relações internacionais, se trata da relação, do cuidado, do ser humano com os pobres, se trata da relação que estabelecemos com – usando a expressão de São Francisco – a mãe Terra, com a irmã Terra”, explicou. Dom Leonardo disse que a carta do Papa defende uma relação que tenha como fundamento a ética e a responsabilidade, e contesta a relação antropocêntrica, que retira da natureza tudo o que está a seu dispor.

Segundo o religioso, está na hora de passarmos da dominação, do consumismo e da exploração, que estão destruindo a Terra, para uma atitude de cuidado e cultivo, como prega o Papa no título da encíclica “Cuidado da Casa Comum”. Falando a católicos e não católicos, o Sumo Pontífice prega uma ‘conversão ecológica’. O bispo disse que, para isso, são importantes as responsabilidades locais, dos governos e internacionais.

O texto de Francisco abrange ainda questões como desmatamento, agrotóxicos, desperdício, povos tradicionais e, sobretudo, a preocupação com os pobres, que são os que mais sofrem com a degradação do meio ambiente. Assim, a maior crítica do Papa é para o fato de que os interesses econômicos e financeiros estão determinando nossa relação com a Terra. Dom Leonardo fez votos de “que a gente possa estabelecer novas relações, do cultivo e do cuidado”, e citou São Boaventura, que disse “tudo é centelha de um mesmo vivo, de um mesmo ser vivente, centelha do mesmo amor, são fulgurações de um mesmo amor”.

Acerca da exposição e do texto do Papa, Sarney Filho avaliou que “essas palavras nos colocam em paz, mas ao mesmo tempo em desafio”. Diversos parlamentares manifestaram-se, comentando a encíclica papal e sua importância. Givaldo Carimbão (PROS-AL), coordenador da Frente Parlamentar Católica, disse que “essa encíclica nos dá força para que, como ambientalistas, possamos nos autoafirmar”.

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) ponderou que a Igreja ficou muito tempo encastelada no poder, distante do cuidado da humanidade, e comemorou a encíclica como “opção preferencial pelos pobres e contra a exploração de que são vítimas”, percepção que classificou como revolucionária. Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) colocou a preocupação com o fato de muitos se dizerem cristãos e negarem, na prática, a ética e os princípios cristãos. “Daí a importância da encíclica”, avaliou, “Francisco veio para mudar”.

Nilto Tatto (PT-SP) falou como deputado e como católico. Para ele, “esta encíclica é um alento, pois vivemos um mundo turbulento. Mostra responsabilidades diferenciadas e nos ajuda a construir uma narrativa para enfrentarmos os desafios que estão por aí”. O deputado capixaba Helder Salomão (PT-ES) também lembrou a influência da Igreja em sua formação política e afirmou que “estamos diante de um dos principais documentos da atualidade no nosso Planeta”.

Arnaldo Jordy (PPS-PA) enalteceu a obra do Papa Francisco, que classificou como “quase perfeita”. “É encantadora pela sabedoria, coragem e habilidade com que aborda os temas”, ponderou. Evair de Melo (PV-ES) defendeu o alinhamento da ciência e da tecnologia com o desenvolvimento humano e os valores culturais, pois, a seu ver, “conhecimento é poder”.

Para o senador Cristovam Buarque, a encíclica é “um livro que vai marcar as próximas décadas no debate sobre que estilo de vida queremos”. Ele defendeu que o texto seja amplamente divulgado, especialmente entre as crianças.

Entre os presentes no evento, encontravam-se os deputados Sarney Filho (PV-MA), Ricardo Tripoli (PSDB-SP), Nilto Tatto (PT-SP), Givaldo Carimbão (PROS-AL), Celso Maldaner (PMDB-SC), Arnaldo Jardim (PPS-SP), Chico Alencar (PSOL-RJ), Júlio César (PSD-PI), Edmilson Rodrigues (PSOL-PA), Helder Salomão (PT-ES), Odorico Monteiro (PT-CE), Arnaldo Jordy (PPS-PA), Diego Garcia (PHS-PR), Penna (PV-SP), Josué Bengtson (PTB-PA), Alessandro Molon (PT-RJ), Raquel Muniz (PSC-MG), Ronaldo Benedet (PMDB-SC) e Maria do Rosário (PT-RS), o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e representantes de entidades civis e órgãos públicos, como SOS Mata Atlântica, CNBB, WWF-Brasil, Mais Cerrado, Obra Social Santa Isabel, Ibama, Irsan, Eletronuclear, IICA, Ecodata, OAB, FMASE, Ecocamara, Companhia da Natureza, Agefis, Senado Verde, UNB, A e B Comunicação, DNPM, FMCJS, IPAN, Funatura, Reapi, Cdeic, Ministério do Meio Ambiente, Funatura, Companhia da Natureza, Embrapa, Instituto Oca do Sol, Liderança do PV, Liderança do PR e Liderança do PPS.

Comunicação Lid-PV