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Frente Parlamentar Ambientalista > Animais domésticos > Frente ambientalista defende mobilização para rejeitar projeto que legaliza caça esportiva

Segundo especialista, a caça e o tráfico atingem 40 milhões de animais silvestres por ano

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https://www.camara.leg.br/noticias/672957-FRENTE-AMBIENTALISTA-DEFENDE-MOBILIZACAO-PARA-REJEITAR-PROJETO-QUE-LEGALIZA-CACA-ESPORTIVA

O coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), defendeu nesta quarta-feira (1) uma mobilização para rejeitar o projeto sobre a Política Nacional de Fauna (PL 6268/16), que trata da liberação da caça esportiva como uma estratégia de preservação de espécies.

A defesa foi feita durante debate virtual na Câmara dos Deputados que discutiu a caça e os maus-tratos aos animais no Brasil. O evento foi organizado pela Frente Parlamentar Ambientalista.

“Essa é uma proposta que a gente precisa se organizar um pouco melhor para colocar em votação e rejeitar. No ano passado, nós seguramos a proposta por mais um ano. Os deputados têm ajudado e têm segurado, mas a gente precisa levar isso pra Plenário, votar e rejeitar a matéria. Porque, se não, a gente vai sempre ficar com esse projeto, esse fantasma nos atormentando”, disse Rodrigo Agostinho.

O deputado também defendeu mudanças na forma de punir crimes ambientais. Pela legislação atual (Lei 9.605/98), os crimes contra a fauna são considerados de menor potencial ofensivo, o que, segundo o deputado, incentiva a reincidência.

Tráfico e caça
Todo ano, cerca de 40 milhões de animais da fauna brasileira são vitimados pelo tráfico ou pela caça ilegal. A informação é da associação “O Eco” e foi citada por Leonardo Gomes, do Instituto SOS Pantanal, que participou do debate virtual.

A coordenadora de Fauna da Associação Mata Ciliar, Cristina Harumi, trabalha com o problema. A entidade tem centros de reabilitação de animais silvestres e é rotina receber animais apreendidos. Nos últimos dias, a associação recebeu 50 pássaros trinca-ferro, aprendidos pela Polícia Federal. Muitos chegaram mortos ou morreram pouco depois. A associação atua principalmente no interior de São Paulo e se especializou em animais de grande porte, como explica Cristina:

“Nesses últimos tempos nós pegamos quatro onças em armadilhas. Quer dizer, se só nós pegamos quatro onças, e aqui no interior de São Paulo, imagine o que está acontecendo lá fora”, disse.

Não são apenas animais da fauna brasileira que a entidade abriga. A associação já acolheu 200 cobras que não eram nativas do Brasil e que, se não tivessem sido acolhidas, teriam sido sacrificadas. Apesar de atuar em oito cidades da região de Jundiaí, a associação já recebeu pedidos de resgate de 94 municípios.

Segundo o analista ambiental Roberto Borges, a caça esportiva vai contra a seleção natural e desequilibra o ambiente. Ele defendeu a prática do safári fotográfico, que mantém a natureza e eticamente não seria reprovável.

Borges apontou outra ação prejudicial da caça. A presença de javalis em regiões como a Bahia mostra que alguns caçadores estão levando essa espécie exótica  por todo o Brasil para praticar seu esporte. Ele considera hipocrisia a caça por subsistência e por isso defende a extensão rural, ou seja, ensinamentos sobre a agricultura, pecuária e economia doméstica para modificar hábitos e atitudes das famílias.

Proliferação de doenças
Na opinião da diretora técnica do Fórum Animal, Vânia Plaza, a caça não promove controle populacional nem reduz a proliferação de doenças. “Eu, como sou sanitarista, posso dizer claramente que a gente tem publicações de décadas já dizendo que a morte das populações de animais não conduzem a esse controle. E claramente existem vários mecanismos que comprometem diretamente os interesses que nós temos hoje de que a caça possa ser explorada por esse grupo de 7% dos brasileiros que veem uma grande vantagem para si, comprometendo de forma generalizada os nossos biomas”, observou.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Agência Câmara de Notícias