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Frente Parlamentar Ambientalista > Observatório de Leis > > Em live, Frente Ambientalista e convidados debatem caminhos para reduzir plásticos nos rios e mares do país

(Brasília, 17 de junho de 2021) – “Temos um grande desafio, um desafio civilizatório. As pessoas aceitam jogar lixo em qualquer lugar. E todo esse lixo descartado na rua vai parar nos rios e nos mares.”. Esse foi o alerta feito pelo Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional, o deputado federal Rodrigo Agostinho, logo no início da live sobre a poluição de rios e mares por resíduos plásticos.

O evento foi realizado na noite da última quarta-feira (16) e contou com o apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.

Estiveram presentes o Coordenador do Programa de Justiça Socioambiental da Fundação Heinrich Böll no Brasil, Marcelo Montenegro; a Diretora de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro; o Coordenador da causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica, Gustavo Veronesi; o Diretor de Relações Governamentais da Coca-Cola, Victor Bicca; e a Diretora da Parley For The Oceans Brasil, Juliana Poncioni.

POLÍTICAS PÚBLICAS

Para a Diretora de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, falta aplicar ferramentas eficientes para minimizar os impactos sobre os rios e mares. “A ausência de políticas públicas, ou a baixa efetividade do cumprimento de legislações, é refletida nas nossas águas. E agora, nesse momento de estiagem do país, vemos que o que fica nos rios secos é a grande quantidade de lixo que ninguém recolhe”.

Na mesma linha de Malu, o Diretor de Relações Governamentais da Coca-Cola, Victor Bicca, disse que falta “dar consistência” às políticas públicas do país. “A Política Nacional de Resíduos Sólidos é muito boa, mas falta dar continuidade e consistência. O primeiro passo que vejo é realmente fazer um diagnóstico e depois partir para a ação”, afirmou.

“Temos que oferecer à sociedade uma estrutura para realizar o descarte adequado e também dar educação para que isso aconteça. Se essas duas coisas não estão juntas, continuaremos presenciando as pessoas jogando lixo em lugares inapropriados. A Coca-Cola, por exemplo, tem muitas iniciativas, mas não são suficientes. É preciso que todos se engajem e cumpram metas”, completou.

RIO SEM PLÁSTICO

Em live, Malu também falou sobre o um projeto piloto desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica, o Rio Sem Plástico. A iniciativa é resultado da ação dos grupos de voluntários que trabalham no Observando os Rios.

Segundo o Coordenador da causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica, Gustavo Veronesi, a ideia principal do projeto é “alertar a sociedade”. “Queremos mostrar que a gente precisa se atentar ao consumo do plástico. Iremos coletar resíduos de alguns pontos e faremos um barramento dos resíduos que chegam aos rios para mensurar, qualificar e entender os tipos de materiais que atingem as águas”.

POLUIÇÃO POR PLÁSTICO

O Coordenador do Programa de Justiça Socioambiental da Fundação Heinrich Böll no Brasil, Marcelo Montenegro, falou sobre o Atlas do Plástico, publicação lançada no final do ano passado pela equipe da fundação.

“Fizemos um grande Raio-X da cadeia do plástico, desde a produção até o descarte. O objetivo principal foi investigar os principais problemas e gargalos e passar esse problema de uma forma bem simples para a sociedade”, explicou Marcelo.

Ainda de acordo com o representante da Fundação Heinrich Böll no Brasil, de 1950 a 2019 o mundo produziu mais de 10 bilhões de toneladas de plástico e que mais da metade desse valor foi apenas nos últimos 20 anos.

“Um dos estudos do Atlas do Plástico constatou que, de 155 praias analisadas no Brasil, mais da metade está suja ou extremamente suja. E, analisando o tipo de lixo, a maioria é resíduo plástico. Pelo menos 70%”, finalizou.

A diretora da Parley For The Oceans Brasil, Juliana Poncioni, avalia a poluição por plástico como algo “muito grave”. “O plástico não está em sincronia com a natureza. Diferente de outros materiais da natureza, ele não se transforma nunca. Ele é tóxico por toda a sua cadeia produtiva, desde a extração até o descarte”.

“O plástico é um erro de design. Precisamos criar materiais que possam substituí-lo e já temos estudos nessa área. Existe plástico feito de mandioca, de raízes de cogumelos, de casca de frutas. São tantas as alternativas eco-inovadoras que estão em sincronia com a natureza e que, consequentemente, trazem benefícios à economia também. Essa é grande forma de enfrentar o problema”, afirmou a Diretora da Parley Brasil.

AIR – EVITAR, INTERCEPTAR E RECRIAR

Para Juliana, os “3 Rs” (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) precisam ser substituídos pela sigla em inglês “AIR” (avoid – evitar; intercept – interceptar; e redesign – recriar). “Desses 10 bilhões de plásticos produzidos pelo mundo até agora, apenas 10% foram reciclados. A gente não tem infraestrutura grande e capaz de absorver toda a produção de plástico. E a tendência é de que isso só aumente, caso a gente continue nesse ritmo. Nós [Parley] acreditamos que o ‘AIR’ seja a forma mais eficiente de melhorar esse contexto”.

LIVE

Para assistir a live na íntegra, acesse o canal da Frente Parlamentar Ambientalista no YouTube.

Assessoria de Comunicação da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional