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Frente Parlamentar Ambientalista > Observatório de Leis > > Desmatamento tem nova alta na Amazônia e chega a 904 km²

Área sob alerta é duas vezes maior que Sharm-el-Sheikh, cidade do Egito onde o Brasil tenta se vender como potência verde na Conferência do Clima da ONU

O Brasil está tentando fazer bonito na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que este ano acontece no Egito, mas a realidade não o deixa mentir: o desmatamento continua sem controle na Amazônia. A área sob alerta em outubro atingiu 904 km², o equivalente a duas vezes o tamanho de Sharm-El Sheikh, cidade onde a conferência está sendo realizada. Os números são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e foram atualizados nesta sexta-feira (11).

O desmatamento é responsável por 49% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, sendo que 77% vêm da Amazônia, segundo último levantamento do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgado no início deste mês de novembro.

O número de alertas em outubro foi 3% maior do que o mesmo mês de 2021, mas desde agosto o aumento chega a 44,65%.

No ranking de estados desmatadores, o Pará se mantém na liderança, com 435 km² sob alerta. O segundo da lista é o Mato Grosso, com 150 km², seguido pelo Amazonas (142 km²), Rondônia (68,5km²), Acre (64 km²), Roraima (23,9 km²), Maranhão (17 km²) e Amapá (2km²).

“Neste fim de mandato, há uma corrida de criminosos ambientais para derrubar a floresta, aproveitando o fato de que ainda têm um parceiro sentado na cadeira da presidência da República. Enquanto Lula está a caminho do Egito para se reunir com líderes do mundo inteiro na tentativa de resgatar a imagem do Brasil, Bolsonaro continua no país, implementando sua agenda de destruição ambiental”, afirma Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima.

Taxa oficial adiada (de novo) para depois da COP

A taxa oficial de desmatamento em 2022 (com os dados de agosto do ano passado a julho deste ano), do sistema Prodes, também do INPE, ainda não foi divulgada e, segundo apurou ((o))eco, não deve sair até final de novembro. 

Esta é a terceira vez que o Brasil não divulga os dados do desmatamento antes ou durante a Conferência da ONU sobre o Clima. Segundo o levantamento, desde 2005, quando o INPE começou a divulgar os números do desmatamento no próprio ano em que ocorreram, somente em 2016, 2021 e agora, em 2022, isso aconteceu.

De acordo com o INPE, a data e o formato de divulgação dos números do Prodes são definidos pelo Governo Federal. No ano passado, o desmatamento chegou a 13.038 km², a maior taxa em 15 anos e uma alta de 73% em relação a 2018, último ano antes do início do governo Bolsonaro.

O que é certo é que o governo Lula vai herdar os números, já que a contagem oficial do desmatamento anual vai de 1º de agosto de um ano até 31 de julho do ano seguinte. Ou seja, o que foi computado a partir de agosto deste ano vai parar na conta do próximo governo.

Fonte O Eco

Reportagem – Cristiane Prizibisczki